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Crise de identidade nos países norte-africanos

março 10, 2011

Por Juliana Oliveira

Charge de Shlomo Cohen

Desde 18 de dezembro o norte da África torna-se notícia constante: inicialmente a Tunísia, em janeiro o Egito e agora a Líbia. Os protestos pedem a renúncia das ditaduras destes países que duram décadas e não expressam o desejo da população.

Dentre as causas, mais fortemente na Tunísia e Líbia, a crise mundial veio como um estopim. Os países enfrentam fortes níveis de desemprego, principalmente na camada jovem que representam a maior parte da população (para o Egito, 33%). Estes jovens, diferentes das gerações anteriores, estão em uma camada populacional que passou por um regime educacional reformulado: a exemplo do Egito, a escolaridade passou de 2,5 anos para 5,5 anos. Esta população mais educada viu-se em países sem perspectivas futuras, assolado ainda por miséria, baixa liberdade política e conforto de vida. Vale lembrar que a elevação da renda que ocorreu nestes países foi acompanhada de elevada desigualdade econômica: parte das concessões para exploração de petróleo  teve suas rendas revertidas para poucas famílias. A globalização, com o maior acesso à internet, facilitando a comunicação, agilizou a queima do fósforo que acabou na fogueira dos protestos que derrubaram os regimes ditatoriais. Estas quedas parecem estar seguindo como um efeito dominó entre os países orientais de ditaduras longas como Bahein e Iêmem, que antes de uma maior levante já propuseram reformas políticas para amenizar as chamas que estavam se acendendo em sua população.

O caso da Líbia está mais quente: o ditador está disposto a morrer, mas não se entregar, os revoltos só sossegarão quando tiverem o controle do país. EUA e outras nações dependentes de petróleo, que vem tendo seu preço subindo com esta situação, estão observando de perto e com muita cautela o que se passa. Na Líbia, mais que no Egito e Tunísia, onde se pôde caracterizar a revolta popular, o caos se instaura por uma divisão dos grupos dominantes. Enquanto estes mantêm-se em uma guerra dominando cidades e redominando-as com bombardeios aéreos, os mortos estão chegando a casa dos mil, além de muitos refugiados.

Quem ganha, quem perde: no caso da Tunísia e Egito, muito chão deverá haver pela frente para mensurar as perdas de perdas de dias produtivos,  toda a reestruturação necessária, mas pode-se dizer que a saída dos ditadores e a promessa de governos democráticos, e ainda, laicos, pode significar uma vitória para esta  população jovem que com um nível escolar mais elevado em relação ao que se havia antes, pode mudar para melhor estes países. Agora em relação à Tunísia, talvez tenha muita areia do deserto do Saara para rolar até algum lado ceder, ou morrer.

Crise de identidade nos países norte-africanos

março 10, 2011

Por Juliana Oliveira

Charge de Shlomo Cohen

Desde 18 de dezembro o norte da África torna-se notícia constante: inicialmente a Tunísia, em janeiro o Egito e agora a Líbia. Os protestos pedem a renúncia das ditaduras destes países que duram décadas e não expressam o desejo da população.

Dentre as causas, mais fortemente na Tunísia e Líbia, a crise mundial veio como um estopim. Os países enfrentam fortes níveis de desemprego, principalmente na camada jovem que representam a maior parte da população (para o Egito, 33%). Estes jovens, diferentes das gerações anteriores, estão em uma camada populacional que passou por um regime educacional reformulado: a exemplo do Egito, a escolaridade passou de 2,5 anos para 5,5 anos. Esta população mais educada viu-se em países sem perspectivas futuras, assolado ainda por miséria, baixa liberdade política e conforto de vida. Vale lembrar que a elevação da renda que ocorreu nestes países foi acompanhada de elevada desigualdade econômica: parte das concessões para exploração de petróleo  teve suas rendas revertidas para poucas famílias. A globalização, com o maior acesso à internet, facilitando a comunicação, agilizou a queima do fósforo que acabou na fogueira dos protestos que derrubaram os regimes ditatoriais. Estas quedas parecem estar seguindo como um efeito dominó entre os países orientais de ditaduras longas como Bahein e Iêmem, que antes de uma maior levante já propuseram reformas políticas para amenizar as chamas que estavam se acendendo em sua população.

O caso da Líbia está mais quente: o ditador está disposto a morrer, mas não se entregar, os revoltos só sossegarão quando tiverem o controle do país. EUA e outras nações dependentes de petróleo, que vem tendo seu preço subindo com esta situação, estão observando de perto e com muita cautela o que se passa. Na Líbia, mais que no Egito e Tunísia, onde se pôde caracterizar a revolta popular, o caos se instaura por uma divisão dos grupos dominantes. Enquanto estes mantêm-se em uma guerra dominando cidades e redominando-as com bombardeios aéreos, os mortos estão chegando a casa dos mil, além de muitos refugiados.

Quem ganha, quem perde: no caso da Tunísia e Egito, muito chão deverá haver pela frente para mensurar as perdas de perdas de dias produtivos,  toda a reestruturação necessária, mas pode-se dizer que a saída dos ditadores e a promessa de governos democráticos, e ainda, laicos, pode significar uma vitória para esta  população jovem que com um nível escolar mais elevado em relação ao que se havia antes, pode mudar para melhor estes países. Agora em relação à Tunísia, talvez tenha muita areia do deserto do Saara para rolar até algum lado ceder, ou morrer.

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