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Mais HPE, Please

março 11, 2011

Por Luiz Henrique Pacheco

Alfred Marshall nos Princípios de Economia diz que a “ciência econômica é a ciência da riqueza de um lado e, de outro, a parte da ciência social da ação do homem para satisfazer suas necessidades, até onde esses esforços possam ser medidos em termos de riqueza em geral, isto é, dinheiro.” Ocorre, entretanto que ele mesmo diz que as proposições ou definições de uma época tornam-se menos importantes em outras. Atualmente a definição mais conhecida de economia é aquela de Lord Robbins a qual diz que é a ciência que lida com o aspecto alocativo das relações humanas, isto é, as conseqüências advindas do fato de que os homens direcionam e alocam seus limitados recursos para fins múltiplos e concorrenciais. Ou seja, uma ciência que estuda as trocas visando a melhor alocação.

Ver um texto num blog de economia sobre HPE (História do Pensamento Econômico) pode assustar porque o estudo dos autores clássicos não é proeminente na grade dos cursos de economia, tampouco nos cursos de pós-graduação. Fato inclusive que deu origem ao artigo “No History of Ideas, Please, We’re Economistsde Mark Blaug, importante historiador das ideias econômicas. Artigo em que ele argumenta que estudar a história das ideias é importante porque uma teoria não é um resultado final, definitivo, mas parte de um processo de avanço do conhecimento. Ele diz que só entendeu realmente que a integração é o ‘oposto’ da derivação depois de ler a discussão de Newton-Leibniz sobre o teorema fundamental do cálculo.

Ler uma obra no original pode ser maçante para alguns, seja por conta do estilo empolado ou por traduções ruins. Fato é que aprender uma teoria na fonte primária é muito mais interessante do ponto de vista didático e cultural. Na citação acima dos Princípios de Marshall, ele ilustra seu argumento de que as definições em economia são passíveis de mudanças no tempo citando a Origem das Espécies de Darwin, livro que considera inclusive mais importante que qualquer outra obra econômica feita até então. Ou seja, há inúmeras referências a outras obras de grande importância para a história da ciência.

Além disso, é frustrante ter o primeiro contato com a economia lendo Mankiw, porque a teoria do consumidor, está no capítulo 21, ao passo que noções sobre comércio internacional está logo no capítulo 3. Ou mesmo iniciar-se em matemática no Simon-Blume com um sem número de proposições, corolários, teoremas e definições. Os aspectos não tão objetivos da teoria poderiam ser apresentados pelo professor, como por exemplo, alguma anedota da teoria apresentada, enfim alguma sugestão para despertar o interesse.  O importante é não perder de vista o aspecto amplo do objeto de estudo da ciência econômica, pois além de possibilitar aos economistas formular modelos simplificadores da realidade estudamos também uma ciência que tem como objeto o homem na sociedade e suas escolhas econômicas ou “motivos”.

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