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Futebol na TV

março 18, 2011

Por Luiz Henrique Pacheco

Desde que surgiu a transmissão ao vivo, os esportes estão presentes na grade de programação das emissoras e fazem grande sucesso. Portanto, há uma longa história entre TV e esportes. No início da relação, entretanto, imaginava-se que a frequência dos torcedores aos estádios cairia consideravelmente. E de fato caiu, mas o ganho de receita compensou a perca de público, segundo o artigo de Baimbridge, Cameron e Dawson.

Recentemente no Brasil surgiu um grande imbróglio em relação à venda dos direitos de transmissão para os próximos anos do campeonato brasileiro (triênio 2012-14). Desde a copa União de 1987, o Clube dos 13 negocia os direitos de transmissão para todos os associados e para os outros participantes da série “A” do brasileirão.

Na ânsia por aumentar as suas receitas, alguns clubes decidiram conduzir a negociação individualmente. Entre eles: Corinthians, Santo, Botafogo, Flamengo, Vasco e Fluminense.  Ontem, o Grêmio assinou individualmente com a TV Globo. Portanto, foi o primeiro dissidente do Clube dos 13 a fechar um acordo.

A licitação dos direitos de transmissão para os times que ficaram no Clube foi ganha pela RedeTV! por R$ 516 milhões por ano. Ocorre que a RedeTV! Diz que comprou o direito de transmissão de 20 clubes. Mas e se alguns clubes fecharem com a Globo e outros ficarem com o Clube dos 13 será curioso, porque, se o Palmeiras ficar no Clube e o Corinthians fechar com a Globo não será transmitido o Derby na TV. A possibilidade de fechar um bom patrocínio será menor.

Há alguma racionalidade nessa decisão de negociar individualmente? O modelo antigo de distribuição das cotas era equivocado. Os clubes recebiam o dinheiro de acordo com o peso da camisa e da torcida. Cinco clubes dividiam metade dos direitos. Na Premier League, o campeonato inglês, conhecido por ser o mais rico da Terra, cada clube da primeira divisão recebe uma cota fixa. Há pagamento de bônus para os jogos transmitidos na TV e uma gratificação de acordo com a classificação final do time.

A estrutura de mercado que nos deparávamos até então era a do cartel, que tenta maximizar o lucro conjunto dos seus membros. Agora partimos para uma estrutura mais competitiva, em que cada clube tenta maximizar individualmente suas receitas.  Sob a ótica do contratador, negociar em separado será melhor porque pagará pouco aos times pequenos. Sob a ótica dos clubes também será melhor negociar separado, desde que todos os clubes do campeonato sejam contratados.

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