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Picoeconomics não dá ponto sem nó

março 28, 2011

Por Adriano Dutra Teixeira

As áreas β são as regiões do cérebro que são ativadas para as escolhas em que a recompensa está disponível imediatamente. As áreas δ são ativadas para escolhas em que a recompensa está disponível a prazos maiores. Imagens e gráfico de David Laibson.

Estou entre aqueles que se encantaram pelo problema da inconsistência temporal da Picoeconomics exposto no último post do Luiz. Interessante essa tendência das pessoas a agir como se tivessem taxas de desconto muito altas para escolhas em um futuro próximo (como a preferência por R$ 1 hoje versus R$ 1,20 amanhã), porém taxas de desconto mais baixas para as escolhas em um futuro mais distante (como uma preferência por 1,05 dólares em 11 anos contra R$ 1 em 10 anos). Em certo sentido, é um afastamento do modelo clássico do comportamento do consumidor.

Mas, um economista neoclássico esperto sempre pode vir para cima com um modelo racional (consistente no tempo) para explicar o que parece ser o desconto hiperbólico irracional da Picoeconomics. Como forma de prevenir-se que isso aconteça David Laibson, um pesquisador de neuroeconomia, tem uma considerável carta na manga.

O autor publicou na Science há uns anos um artigo que utiliza varreduras de imagens da ressonância magnética funcional (fMRI) para demonstrar que diferentes partes do cérebro são ativadas quando há tomada de decisões em diferentes escalas de tempo (vide imagem acima). A parte mais primitiva do cérebro é ativada com a opção de curto prazo.

Médicos explicam que quando uma parte do cérebro é ativada durante uma determinada decisão, podemos inferir que a decisão é semelhante a outras escolhas ou comportamentos que ativam essa mesma parte do cérebro. Na pesquisa, Laibson mostrou que dois sistemas distintos estão envolvidos nas decisões imediatas e de longo prazo.

É isto que dá credibilidade ao argumento do desconto hiperbólico da Picoeconomics.

5 Comentários leave one →
  1. Paola permalink
    março 29, 2011 12:17 am

    Disse lá no twitter e repito aqui, texto muito bom! O blog está de parabéns! Não só pelo nível de textos, mas pela frequencia, simpatia e conexão entre um texto e outro. Já li sobre outros estudos que contrariam a teoria micro que aprendemos na faculdade. Queria saber, tem muitos pesquisadores envolvidos nessa teoria da picoeconomics?
    Bjokas.

    • março 30, 2011 4:00 pm

      Olá Paola, valeu pelo elogio! Sim, existem muitos textos principalmente de economia comportamental que contrariam o modelinho neoclássico. Sobre a Picoeconomics o principal envolvido é George Ainslie. Aqui tem o site dele:

      http://picoeconomics.org/

      Existem também muitos outros autores envolvidos no desconto hiperbólico. Em Richard Herrnstein já havia uma discussão disso. Depois Laibson foi importante no argumento da inconsistência dinâmica e teve muitas publicações nesse sentido (além da que citei no texto). Tem alguns outros também.
      Abraço,
      Adriano.

  2. @maxmiliano permalink
    março 29, 2011 9:40 am

    Fiquei com vergonha de postar mais um comentario ao luiz, mas já que voltaram ao tópico, queria saber qual é a definição do conceito DESCONTO nesses estudos? Obrigado

    • março 30, 2011 4:19 pm

      Que isso Max! Pode perguntar a vontade, eu pelo menos não me importo… Confesso que eu tive que ler umas 5 vezes o texto do Luiz e dar uma olhada no artigo do George Ainslie pra entender do que se tratava. Realmente o argumento da inconsistência temporal não é nada trivial.

      Sobre conceito de Desconto, é o mesmo que conhecemos em matemática financeira, por exemplo pro caso de um título: “Chama-se desconto à diferença entre o Valor Nominal de um título (Valor Futuro) “VF” e o Valor Presente ou Atual “VP” deste mesmo título [D = VF – VP].” Em se tratando de “consumo”, note que existe um custo de oportunidade de não consumir. Merece um “prêmio” aquele que abdica do seu consumo presente, justo?

      Então, no caso do desconto hiperbólico considera-se que as pessoas têm uma taxa de desconto muito elevada no futuro próximo. Por exemplo, a preferência por R$ 1 hoje versus R$ 1,20 amanhã, significa que o individuo tem uma taxa de desconto maior que 20%.
      Considera-se tambem que as pessoas tem taxas de desconto mais baixas para as escolhas em um futuro mais distante. Por exemplo, a preferência por 1,05 dólares em 11 anos contra R$ 1 em 10 anos. Veja que nesse caso o individuo está com uma taxa de desconto menor do que 5%.
      Isso é a inconsistência temporal! Espero ter ficado mais claro. E aí? Pode perguntar..
      Abraço,
      Adriano.

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  1. Que vontade de fazer xixi « Prosa Econômica

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