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O que leva o torcedor brasileiro aos estádios?

março 30, 2011

Por Adriano Dutra Teixeira e Vinícios Poloni Sant’ Anna

Charge de Spon Holz

Nos últimos anos, os clubes brasileiros têm caminhado no sentido de aumentar e diversificar suas receitas. Sem dúvida uma das formas é aumentar a frequência e média de público nos estádios. Para tanto, os clubes precisam estar cada vez mais informados sobre os fatores que afetam a presença dos torcedores nos estádios brasileiros. Isso é tarefa para a Economia do Esporte.

O artigo “Brazilian Football: What Brings Fans to the Game?”, por exemplo, faz uma análise sobre os fatores que determinam a presença do público nos estádios brasileiros. O artigo cita vários fatores, dentre eles o preço do ingresso, a infraestrutura dos estádios, a expectativa do time vencer e inclusive se o time está disputando jogos decisivos em algum campeonato, como finais ou semifinais.

No entanto, um fator que chama atenção no estudo, é a realização de outros métodos de venda de ingressos. Geralmente o torcedor adquire seu ingresso nas próprias bilheterias dos estádios e enfrenta enormes filas, um processo muito desgastante, e que representa um desincentivo à presença nos estádios. Segundo o estudo, a realização de promoções, na qual o consumidor pode trocar uma embalagem de um produto qualquer por um ingresso, por exemplo, apresentam efeitos positivos sobre a frequência nos estádios. Além disso, a diversificação dos pontos de venda de ingressos, assim como a venda pela internet, também aumenta a presença nos estádios.

Outra consideração interessante do artigo é sobre o efeito da renda sobre a presença nos estádios. De acordo com o estudo, a renda apresenta um efeito negativo sobre a decisão de ir aos estádios. Em outras palavras, quanto maior a renda do torcedor, menos propenso ele estará a frequentar os estádios.

Derivação da Curva de Demanda

Os autores do estudo, Madalozzo e Villar, derivaram uma curva de demanda para a frequência nos estádios. Um dos resultados importantes disso foi que a elasticidade preço da demanda foi menor do que 1. Em média se o preço aumentar em 1%, a quantidade demandada diminuirá em 0,24%. Assim, se pressupormos que cada equipe é um monopolista, podemos dizer que os clubes de futebol não são maximizadores de lucros porque eles estão definindo o  preço na parte inelástica da curva de demanda.

Para entender isso, lembremos que a condição de lucro ótimo do monopólio é RMg=Cmg, ou seja:

[; p(y)\left[1-\frac{1}{|\varepsilon(y)| \right]=CMg(y). ;]

Desta meneira, o lucro ótimo seria a área destacada do gráfico hipotético abaixo, sendo que o monopolista para ter lucro ótimo escolheria operar no ponto B, onde a curva de demanda é elástica.

Gráfico do livro de micro do Mankiw com anotações próprias.

Veja que no caso da pesquisa em questão foi encontrado que em geral os clubes de futebol estavam operando onde a curva de demanda é inelástica (módulo da elasticidade menor do que 1), então a receita marginal é negativa, de forma que não poderá igualar-se ao custo marginal. Assim, lembrando das implicações de uma curva de demanda inelástica, uma redução na produção aumentará a receita e diminuirá o custo total, fazendo com que os lucros aumentem. Portanto qualquer ponto inelástico da demanda não pode ser um ponto de lucro máximo.

Sendo assim, apesar de vários clubes brasileiros empregarem diversas estratégias para atrair os torcedores aos seus jogos, aquela velha máxima do futebol “Entrar para ganhar”  não tem sido mostrada válida sob a perspectiva dos lucros dos clubes.

8 Comentários leave one →
  1. João H Baldo permalink
    março 30, 2011 6:12 pm

    Perceba o quão evoluído está o sistema esportivo do nosso país…

    • março 31, 2011 4:31 pm

      Sim, para os clubes não está nada bom… Os autores do paper afirmam inclusive que os clubes estão com um preço do ingresso na parte inelástica da demanda porque estão equivocadamente preocupados em vender mais ingressos. Mas, se pensarmos pela perspectiva dos consumidores, os clubes parecem estar operando próximo da quantidade competitiva de mercado.
      Abraço
      Adriano

  2. Caio permalink
    março 30, 2011 10:34 pm

    Foram consideradas as receitas indiretas da presença de mais pessoas no estádio? Como por exemplo a venda no estádio (oficial e de ambulantes), mas principalmente uma demonstração de popularidade do clube visando valorização do preço do patrocínio da camisa.

    • março 31, 2011 4:58 pm

      Boa pergunta! Acabo de reler o paper e nada encontrei sobre a consideração de um “mercado paralelo” na venda de ingressos. Os dados do estudo foram retirados da Revista Placar. Imagino que o preço do ingresso com os ambulantes seja maior então precisamos saber também pra onde vai essa renda excedente dos ambulantes: vai pros clubes? ou pros próprios ambulantes? Se for pros ambulantes, imagino que as interpretações do paper se mantem. Se for pros clubes, creio que a variável preço do ingresso estará com erros de medida.
      Abraço!
      Adriano.

      • Caio permalink
        abril 3, 2011 9:46 pm

        Eu não fui muito claro, na verdade eu quis dizer a venda de outros produtos, como cerveja, hot dogs etc.

        • abril 12, 2011 7:28 pm

          Ah… entendi. Não, a pesquisa só considera a receita dos ingressos mesmo.

  3. Pedro Ivo Gomes permalink
    abril 13, 2011 12:13 am

    po galera parabens ai pelo grupo e pelos textos…
    li alguns …muito interessantes e maravilhosa e ideia de passar para quem esta cadastrado os textos q vc´s estão lendo.

    maravilhoso sair da âmbito totalmente abstrato que tenho de economia e ver ela aplicada no mundo real…

    recolho-me a minha ignorância

    boa jornada a td´s vc´s

    mais subi o preço dos ingresso eh mancada em..não dexa nenhum club ler isso nao po

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