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Educar para crescer… educar BEM para crescer

março 31, 2011

Por Juliana Oliveira

Fonte: Slate

Educação. Para alguns pode ser um tema batido para uma pesquisa em economia. Pra mim, é essencial para um país crescer e, portanto este é o temo da minha pesquisa.

Segundo Hanushek e Woessmann (2007), há enfatizado na literatura três canais de atuação da educação no crescimento de um país. Um deles é o argumento presente na teoria de crescimento neoclássico de Mankiw, Romer e Weil (1992), de que a educação relaciona-se positivamente com a produtividade do trabalhador, e assim, impacta no alcance de um maior nível de produção. O segundo canal está na teoria do crescimento endógeno presente no trabalho de Lucas (1988), Romer (1990) e Aghion e Howitt (1998), para a qual a educação propicia a criação de novos conhecimentos, inovação, que podem vir a implicar em novas tecnologias, produtos e estes podem ajudar a promover o crescimento econômico. A terceira vertente descrita em Nelson e Phelps (1996) e Benhabib e Spiegel (1994) fala da função de difusão de conhecimento que a educação proporciona, possibilitando o catch-up dos países em desenvolvimento.

No entanto, algumas pesquisas empíricas parecem não corroborar com o impacto positivo da educação no crescimento. Trabalhos com microdados chegaram a resultados positivos, mas trabalhos com macrodados, na análise entre países, chegaram a resultados contraditórios, com a educação tendo um parâmetro negativo e significante quando explicativa do crescimento de algumas nações. Esta diferença de resultado foi chamada de paradoxo macro-micro (Pritchett, 2001), que pode ser devido à heterogeneidade dos dados ou má mensuração dos dados, principalmente quanto aos dados de educação.

A proxy de educação mais utilizada neste tipo de pesquisa é o número médio de anos de estudo, que supõe que a educação entre os países é homogênea: o mesmo ensinado numa 2º série no Brasil é igual ao dos outros países do mundo. Hanushek e Kimko (2000) trabalharam como uma variável qualitativa da educação, supondo que o papel da educação está na formação individual, de suas habilidades e raciocínio que vêm não só da escola, mas também da estrutura familiar, e isto sim refletiria a capacidade de produzir, criar e copiar do capital humano de um país. Estes autores, utilizando a nota média dos países em testes de desempenho de alunos do ensino fundamental encontraram uma forte e significante função da educação no crescimento. Hanushek e Woessmann (2007) ampliaram a amostra de países além de acrescentar outras variáveis que impactam no crescimento econômico e mesmo assim, a proxy da educação, também média dos alunos em testes internacional de desempenho escolar manteve-se sempre significante. Segundo Hanushek e Woessmann (2007)  a utilização de uma variável de qualidade da educação é a chave para entender a relação entre crescimento econômico e capital humano.

No Brasil, as pesquisas com crescimento e uma proxy qualitativa da educação estão em fases embrionárias, tanto por esta vertente ser nova como pela deficiência de dados que o país tem em alguns setores, como educação.

Na minha pesquisa, utilizando como proxy da educação o desempenho médio dos municípios do estados de São Paulo no ENEM nos anos de 2002 a 2007, encontrei que o aumento em 1 ponto nesta média levará, num prazo de 3 anos, a um aumento de 0,5% do PIB per capital municipal. Mesmo com a presença de outras variáveis impactantes no crescimento, como crescimento da população, gastos municipais e uma proxy para abertura comercial calculada via corrente de comércio dos municípios, a minha proxy qualitativa da educação manteve-se significante e positiva. Como a pesquisa ainda está em andamento, ainda há muitas análises quanto à qualidade dos dados e problemas de endogeneidade a serem verificadas, mas este resultado, a meu ver só vem mostrar o que todos sabemos: educação de qualidade é a saída se queremos nos desenvolver.

2 Comentários leave one →
  1. março 31, 2011 11:42 pm

    É excelente esse post! Além de trazer os primeiros resultados de tua pesquisa, ainda enfatiza algo que, ao meu ponto de vista, vem se apagando da mentalidade brasileira: não só uma educação “universal” resolverá o problema do Brsil (ceteris paribus). Faz-se necessário proporcionar infraestrutura, profissionais qualificados e motivados, dar incentivos aos alunos (perspectiva de melhor futuro caso ele “gaste” seu tempo em educação)…

    Estou no aguardo da conclusão da tua pesquisa!

    A proposito, tenho uma amiga da faculdade que está tbm estudando alguma coisa de educação, apesar do foco, no momento, ser a questão do “incentivo fiscal”.

    Abs

  2. Prosa Econômica permalink*
    abril 1, 2011 11:41 pm

    Oi Ikari,
    Obrigada!!
    Acho a educação o melhor motor do crescimento. Acontece que tem várias questões que devem ser estudadas e melhoradas pra gente criar capital humano no Brasil. E quanto mais educada a população, mas educação ela vai exigir!
    Espero que os meus resultados, assim como o da sua amiga e de todos que estudam a educação sirvam para orientar as políticas neste campo.
    E pode deixar: assim que chegar aos finalmente da pesquisa, vocês serão os primeiros a saber os resultados!

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