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Comércio Internacional pode reduzir a Poluição Global

abril 1, 2011

Por Vinícios Poloni Sant’ Anna

Vale para as economias hipotéticas da Freedonia e Sylvania.

Nas últimas décadas, verificou-se uma intensificação dos fluxos de comércio entre os países e maior inclinação dos esforços brasileiros no sentido de ampliar sua participação no mercado internacional. Essa tendência veio acompanhada da intensificação de trabalhos empíricos que procuram identificar os mais diversos efeitos que o aumento do comércio internacional, assim como a diminuição das barreiras comerciais, podem causar em uma economia.

Existe uma interessante linha de pesquisa que analisa o efeito do comércio internacional sobre aspectos ligados às questões ambientais. Mais recentemente, o estudo Does Trade Liberalization Increase Global Pollution? estabelece algumas condições segundo as quais a liberalização do comércio internacional diminuiria a poluição global.

Assumindo que o mercado internacional de bens seja imperfeitamente competitivo, o artigo analisa a relação entre a liberalização comercial e a degradação ambiental. Para tanto, o trabalho considera uma simples estrutura de produção, na qual trabalho e poluição são usados como insumos. O autor do estudo, Hamid Beladi da Universidade do Texas, supõe a existência de apenas duas firmas, a doméstica e a estrangeira e considera as seguintes funções de produção:

[; q=\min\{\alpha L, \beta E \} ;]

[; q*=\min\{\alpha* L*, \beta* E* \};]

Onde L é o trabalho, E é a poluição gerada por produto e α e β são constantes. O asterisco é usado para distinguir as variáveis e constantes da economia estrangeira.

As implicações desse simples modelo apontam que uma redução das barreiras comerciais por parte do país doméstico reduziria tanto a poluição doméstica quanto a poluição global se, e somente se, a tecnologia estrangeira for suficientemente mais limpa que a produção doméstica (ou seja, β*> 2β).

O artigo vai mais além, e diz que, se a condição acima for satisfeita, mesmo que a liberalização leve a formação de um monopólio estrangeiro na produção mundial, a poluição global ainda assim será reduzida.

É claro que esse modelo, assim como vários modelos econômicos, não leva em conta outros fatores importantes para uma economia, tais como a distribuição de renda, ou a utilização de outros fatores de produção, além do fato de que β e β* não são diretamente encontrados. No entanto, o resultado é interessante no sentido em que mostra que os países podem obter ganhos ambientais de comércio, sob determinadas circunstâncias.

3 Comentários leave one →
  1. João H Baldo permalink
    abril 1, 2011 5:56 pm

    Achei interessante a conclusão do trabalho, entretanto acho que o modelo pode ser fortemente influenciado se considerar abranger mais fatores impactantes na produção. Inclusive reduzindo a significância do resultado atual, por exemplo os próprios fatores já citados por você Vinícios.

    Abraço.

  2. abril 1, 2011 7:03 pm

    Olá João. Realmente, qualquer mudança nas premissas do modelo poderia provocar alterações na conclusão final.
    Obrigado pela força e continue participando do blog.

    Abraço

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