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No futuro Gari terá que ser Doutor

abril 13, 2011

Por Caio Salles

Charge de Spon Holz

Corroborando o post da Juliana “Educar para crescer…educar bem para crescer” e adicionando algumas informações, eu gostaria de falar sobre a qualidade da educação no Brasil.

O artigo “Overeducation e Undereducation no Brasil: Incidência e Retornos” diz que, no nordeste, por exemplo, quase 60% dos cargos de trabalho são ocupados por pessoas com menos escolaridade do que a posição necessita, ou seja, uma pessoa que tem apenas o ensino fundamental ocupando um cargo que, de acordo com o empregador, seria necessário o ensino médio e assim por diante. No SE esse número é o menor do Brasil e ainda é por volta de 50%. Além disso, os números de sobre-educação, que é o oposto, ou seja, quando uma pessoa com graduação completa ocupa uma vaga que exigiria apenas o ensino médio, por exemplo, são de quase 20% em SP, apesar de o retorno da educação a mais ser de metade a um terço do retorno da educação adequada para o cargo. (O retorno da educação é o cálculo de quanto uma pessoa ganha em dinheiro por ano adicional de estudo.)

Várias são as possíveis explicações para a Sub e Sobre educação, como citadas no artigo:

1. Poderia ser um estado transitório de adequação da economia à formação dos profissionais;
2. A sub-educação poderia estar sendo compensada por treinamentos dentro das empresas ou experiência prévia e;
3. O contrário explicaria a sobre-educação, com falta de experiência e/ou treinamento nas empresas.

No entanto eu lanço outro argumento para tentar explicar o motivo dessa não adequação de 70% em média no mercado de trabalho brasileiro. A qualidade em média da educação no Brasil é sabidamente ruim em todos os graus: ensino básico, médio, graduação e pós-graduação (principalmente latu-sensu), portanto o empregador, sabendo disso, exagera na exigência de escolaridade do cargo, já que, na visão dele, uma pessoa com uma graduação de qualidade ruim compensaria um ensino médio e básico ruins também e uma vaga que só exigiria um bom ensino médio, vira de ensino superior, e assim por diante.

Concluo assim que o Brasil não deve focar seus esforços no aumento da taxa de crescimento de pessoas com ensino superior, mas precisa sim, de um ensino de qualidade para convencer os empregadores a serem realistas nas exigências de suas posições.

Na prática, eu sugeriria a nossos governantes, que fosse substituído o gasto com programas com o  PROUni, que incentiva a graduação, por mais gastos com o ensino básico e médio. E mais, eu gostaria de ver elevado o rigor do MEC na autorização de funcionamento dos cursos de 3º grau. Se continuarmos com essa compensação, daqui a pouco carteiro vai ter que ter doutorado!

7 Comentários leave one →
  1. @maxmiliano permalink
    abril 14, 2011 9:31 am

    Gostei do texto ser escrito na primeira pessoa. Lendo o post lembrei que nessa mesma semana li na FOLHA que o governo anda buscando brasileiros que estão de especializando no exterior, convidando-os a retornar ao brasil como mão de obra mega valorizada, e por outro lado o governo do estado de quebec do canada, esta selecionando para visto permanente potenciais profissionais graduados por aqui no brasil.

    • Caio permalink
      abril 19, 2011 8:56 pm

      Obrigado, Maxmiliano. É, pelo jeito se o desenvolvimento do Brasil continuar em passos lentos o jeito é entrar na aula de francês!

  2. william_salles.ws@hotmail.com permalink
    abril 14, 2011 3:36 pm

    Muito oportuna e realista a nova teoria proposta, pois o que vemos também, atualmente, é um esvaziamento de profissionais que ocupam posições fundamentais em atividades intermediárias – entre o nível básico de escolaridade e o nível superior (técnicos,em especial). Esse panorama faz com que se busquem alternativas na sobre-educação ou na subeducação para atender às necessidades diversas do mercado de trabalho. As consequências podem ser diversas e distorcer as perspectivas profissionais.

    • Caio permalink
      abril 19, 2011 8:58 pm

      Interessante comentário para se pensar nas consequências psicológicas que falta de adequação dos cargos X educação exigida podem ter nos adolescentes e jovens que estão decidindo o que serão no futuro.

  3. lanecsalles@hotmail.com permalink
    abril 14, 2011 5:11 pm

    Concordo plenamente com a colocação sobre um investimento real nas séries iniciais,ensino fundamental, pois com a devida atenção a esta fase a educação construirá uma base forte para desenvolver melhores “cabeças” e futuros profissionais, o início da melhora da educação está nas crianças.

    • Caio permalink
      abril 19, 2011 9:00 pm

      Exatamente. Quem já não viu documentários sobre a notável capacidade de aprendizado de crianças pequenas que vai diminuindo conforme elas crescem?

  4. João H Baldo permalink
    abril 22, 2011 8:40 pm

    O investimento na educação básica se faz vital para a mudança do futuro nesse país ao meu ver. Temos a cultura de pular etapas para tentar suprir nossas próprias incompetências, entretanto as consequências, por bem ou mal, uma hora aparecem. Evidências que ações paliativas, no caso da educação, são simplesmente ineficazes, servindo apenas para camuflar a real situação do nosso sistema educativo.
    Parabéns pelo post. Abraços.

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