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Tim tim

abril 17, 2011

Por Adriano Dutra Teixeira

“Nós temos esse cuidado em agregar valor antes de exportar. E não passar a achar que é absolutamante natural que a gente exporte só produtos básicos.”, presidenta na China.

Como países ricos ficaram ricos e por que países pobres continuam pobres? Sim, é a estrutura econômica. Já nos escritos dos pais fundadores da Economia como Smith, Ricardo e Malthus se encontravam referências a respeito das razões pelas quais alguns países conseguiram emplacar o crescimento. Mais recentemente, os modelos de crescimento de Solow e os modelos endógenos de crescimento de alguma forma resolvem a questão do porquê alguns países alcançaram um crescimento sustentado enquanto outros não puderam fazê-lo. Ainda falta, entretanto, explicar as diferenças entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento, e mais, esclarecer por que tantos países do mundo incluindo Brasil e China estão presos em armadilhas ao desenvolvimento.

Um novo artigo de Felipe, Kumar e Abdon, do Banco de Desenvolvimento Asiático, traz uma contribuição empírica para as armadilhas que muitos países enfrentam para se desenvolver. O trabalho olhou para as características das cestas de exportação de 154 países. Classificou os países de acordo com a sofisticação (medida pelo índice de rendimento dos produtos exportados) e conectividade das exportações (uma cesta de exportação bem conectada é aquela que permite um salto fácil para outros potenciais produtos de exportação).

Vejamos alguns dos resultados.

Fonte: Felipe et al.

Brasil e China estão entre os países que estão numa chamada armadilha da renda média, são países “high core” – países que possuem vantagem comparativa em mais de 30% de seus produtos exportados – mas que exportam produtos pouco sofisticados e de pouca conectividade. Aí está o pulo do gato que nos distancia de países ricos.

O argumento aqui usado é que países ricos tornaram-se ricos porque aprenderam a exportar os produtos certos: produtos com alta sofisticação e ligação, como maquinaria e produtos químicos. Para isso, esses países tiveram de acumular habilidades necessárias para dominar tais commodities enriquecedoras. A diversificação das exportações exigiu aventurar em novas atividades que envolvam externalidades de informação e coordenação. Os autores do artigo lembram que este foi um processo que em alguns casos começou na Idade Média e foi apoiado por um conjunto de ações de política de industrial, muitas das quais seriam inclusive ilegais hoje.

Historicamente, foi impossível um país se desenvolver sem a criação de um setor industrial e um setor de serviços avançados. Da mesma forma, historicamente, nenhum país tornou-se rico sem intervenções governamentais explícitas em direção à política industrial. De fato, tim tim importante esse.

6 Comentários leave one →
  1. Val permalink
    abril 19, 2011 4:43 pm

    Maravilha ver pesquisa e realidade andando juntas. Amo isso. Na minha opinião a presidente acertou o tom na visita na china. As frases da presidente são sempre muito confusas, mas deu pra pegar a intençao..

    • Paulo Santiago permalink
      abril 19, 2011 7:22 pm

      Tambem gostei, pra mim o melhor de tudo é ligaar atualidade com teoria economica. Faço Economia (2o ano).
      Concordo Vall! Achei que era só eu q achava que a Dilma não consegue terminar uma frase.
      Abração

      • abril 28, 2011 12:17 pm

        Legal Paulo, conto com a sua participação de estudante da área então.
        Abraço
        Adriano.

    • abril 28, 2011 12:14 pm

      Val, que bom, procuro fazer isso sempre que possível.
      Abraço!
      Adriano.

  2. João H Baldo permalink
    abril 22, 2011 8:48 pm

    Existem teorias de desenvolvimento econômico que podem ser encaixadas de maneira interessante nessa analise, por exemplo, a “Teoria do Desenvolvimento por Etapas”.
    Gostei muito do post.
    Parabéns equipe do Prosa.

    • abril 28, 2011 12:22 pm

      Valeu João, sim existem. Em geral, pesquisas nessa área costumam sugerir uma política industrial agressiva que leve à rápida acumulação de capacidade relevantes juntamente com uma intervenção governamental significativa.
      Abraço!
      Adriano.

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