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Globalização Financeira – bom ou ruim? A visão Antiliberal Marxista

junho 24, 2011

É muito difícil resumir a visão marxista, pois a mesma depende de conceitos que exigiriam algumas páginas para explicar, portanto vou assumir que o leitor já esteja familiarizado com os conceitos básicos dos trabalhos de Marx.

Para os Marxistas a Desigualdade e a Instabilidade são inerentes ao capitalismo e a Globalização Financeira só amplia estes problemas.

Essa linha de pensamento considera que é a concorrência que cria o monopólio, principalmente a concorrência via redução de preços, portanto a globalização, ao passo que aumentaria a concorrência, resultaria em muito mais fusões e aquisições visando obter ganhos de escala e redução de preços, o que causaria aumento do desemprego e redução salarial.

Marx vê a moeda como a relação social entre os agentes econômicos necessária no capitalismo, começando pelo trabalhador quando vende sua força de trabalho até a distribuição das mercadorias. A Liberalização Financeira “bagunça” o valor da moeda ao passo que esta é negociada como um simples ativo financeiro e perde um pouco da sua utilidade de equivalente geral da Economia. Isso, para os Marxistas é uma das causas da Instabilidade.

Outra causa da Instabilidade é que a globalização aumenta a criação do chamado “capital fictício”, que é aquele que não tem seu valor vinculado ao valor trabalho, que determina o valor das mercadorias, mas é um capital que além de não ser aplicado na produção, tem seu valor determinado por mera capitalização e é inerente a qualquer economia com um sistema de crédito desenvolvido.

Para os Marxistas, o aumento do capital fictício é a principal causa das crises financeiras, nas quais os ativos mostram seu valor verdadeiro, mostrando que há limites no descolamento entre o capital financeiro e o capital produtivo.

Os autores marxistas chamam atenção para o risco do aumento exagerado das transações financeiras com a Globalização com dinheiro que seria aplicado na produção. Eles argumentam também que a perda de controle por parte das autoridades monetárias das dinâmicas monetárias conduziu a uma mudança estrutural no sistema de crédito, cujo mecanismo de regulação passou a ser as taxas de juros elevadas. A abertura ao mercado financeiro internacional com taxas de juros altas e a volatilidade dos capitais financeiros aumentam enormemente o capital fictício, transformando a especulação temporária em atividade permanente e super-cíclica.

Tenha em mente que esta série de textos que escrevi sobre a Globalização financeira é um resumo do resumo de um artigo que resumiu os principais pontos (rs), ou seja, essa discussão é muito mais longa e aprofundada, mas com estes principais pontos já dá para ter uma idéia da complexidade do assunto e, de repente, escolher um lado.

Bibliografia Principal:

Mollo & Amado (2001) – Est. Econ. – v. 31 p. 127-166 – Globalização e Blocos Regionais: Considerações Teóricas e Conclusões de Política Econômica

Leia também:

Globalização Financeira – bom ou ruim? A postura Antiliberal Pós-Keynesiana

Globalização Financeira – bom ou ruim? A postura Liberal Ortodoxa

6 Comentários leave one →
  1. Beatriz permalink
    junho 24, 2011 9:34 pm

    Caio estou estudando pra uma prova exatamente sobre isso. Li todos os seus textos, estão ajudando bastante.
    bjos

    • Prosa Econômica permalink*
      junho 24, 2011 10:46 pm

      Que bom Beatriz! Leia o artigo da Profa. Mollo na íntegra que te ajudará muito na prova!

      Caio

  2. Prosa Econômica permalink*
    junho 24, 2011 10:50 pm

    Acho que depois das 3 visões da Globalização podemos identificar com qual o FMI concorda e, tendo agora Grécia, Portugal etc como exemplos podemos pensar se a União Européia está aumentando ou diminuindo a desigualdade entre países.

    Caio

  3. Vítor permalink
    outubro 28, 2013 9:19 pm

    Precisava deste artigo para apresentar um seminário amanhã e não estou conseguindo localizá-lo.
    Sabe onde posso encontrá-lo ? Muito obrigado

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