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Continua o Debate da Dívida

agosto 3, 2011

O acordo da elevação do teto da dívida foi finalmente aprovado. Apesar de ter impedido uma catástrofe econômica (o temido calote da dívida), vale a pena frisar que este foi um acordo lamentável.

“O raciocínio e a pressa não se dão bem”, avisou o dramaturgo grego Sófocles. O Congresso americano esperou até o último minuto para aprovar um mau projeto num momento em que a economia americana implorava por um bom. Aprovado um projeto de lei que propõe fazer muito pouco agora, e pouco mais tarde. Primeiro, propõe fazer enormes cortes de gastos, sem aumento da receita. E depois, uma comissão vai fazer recomendações de reduções futuras do déficit – e caso não forem aceitas, novos cortes serão previstos.

O debate

Ao contrário do que se pareceu na briga democratas versus republicanos, as duas teorias predominantes do nosso momento econômico atual não são opostas uma à outra. Ambas concordam que a economia americana está fraca agora, com a demanda deprimida e o crescimento muito baixo, e ameaçada por déficits mais tarde. A resposta, como os economistas costumam dizer, é simples, nas palavras de Ezra Klein (colunista do Washington Post):

“[O EUA] deveria fazer mais para apoiar a recuperação agora, e mais para reduzir os déficits mais tarde. No curto prazo, devemos expandir o corte de impostos da folha de pagamento, fazer um investimento maciço em infraestrutura, continuar com o seguro-desemprego, financiamento e fazer mais para ajudar os estados. No longo prazo, deveria cortar os gastos em programas de benefícios, bem como programas discricionários, e aumentar as receitas significativas e modernizar o código tributário. “

Essas duas prioridades não entram em conflito. Na verdade, elas apoiam-se mutuamente. Um crescimento mais rápido agora significaria déficits menores mais tarde. E politicamente, mais estímulo agora teria ajudado democratas a concordarem com a redução do déficit mais tarde.

Mas a política americana…

O sistema político americano não tem sido funcional o suficiente e assim os republicanos lutaram contra o estímulo no curto prazo, não concordando com o aumento das receitas necessárias para reduzir significativamente o déficit depois. O que o partido republicano conseguiu foi colocar em dúvida todo o sistema de governo. Lembrando que esse mesmo partido que agora está disposto a ameaçar a segurança econômica americana, foi também o maior dos vilões da dívida como mostrou o post da Juliana.

Os mercados agora estão respirando um suspiro de alívio, porque Washington conseguiu chegar a um acordo antes que se provocasse uma crise financeira desnecessária. Mas os americanos poderiam estar celebrando um acordo que realmente fizesse o que era necessário para acelerar a recuperação agora, e reduzir os déficits que é o que importa.

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