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Tombini nos juros

outubro 19, 2011

O Copom decidiu agora à noite derrubar a taxa de juros em 0,50 ponto porcentual para 11,5% ao ano. A decisão mostra que acelerou o ritmo de queda da Selic começado em agosto, quando a taxa havia levado seu primeiro tombo. Veja o comunicado do BC:

“Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 11,50% a.a., sem viés. O Copom entende que, ao tempestivamente mitigar os efeitos vindos de um ambiente global mais restritivo, um ajuste moderado no nível da taxa básica é consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012.”

Note que os argumentos rotineiramente usados pelo governo para cortar o juro são: (1) a recessão mundial, (2) a inflação brasileira tempestivamente em queda, (3) a política fiscal está colaborando e (4) há desaceleração da atividade econômica no país. A maioria destes argumentos, entretanto, pode ser contestada.

Não há agora, nem está no radar da maioria dos economistas, a ocorrência de uma recessão generalizada. Há sim, um crescimento baixo das economias desenvolvidas que cogita-se que pode ocasionar a desinflação das commodities. Mas isso é um fato que ainda não ocorreu e, pelo contrário, o último índice de inflação da zona do euro é o maior dos últimos 3 anos. Segundo, o IPCA acumula alta de 7,31% nos últimos 12 meses, é claro que todos esperamos que este seja o pico do ano e que daqui para frente a inflação volte a cair. Mas isto também não foi observado. Terceiro, a política fiscal faz de conta que colabora. O superávit aumentou, maravilha. Só que às custas de mais receitas líquidas, mais gastos com custeio e pouco investimento. Além disso, ano que vem é ano eleitoral época que fica sempre mais de dífícil de controlar a boca do cofre. Por fim, há a constatação de que a economia esfriou. De todos, este é o único argumento que está amparado por algum índice. O último IBC-Br, que mede o ritmo da economia, registrou queda marginal de 0,53%.

A falta de argumentos ou presença de argumentos pela metade deixa cada vez mais evidente que o Banco Central prefere compartilhar com o governo a direção da autoridade monetária. É só o governo avisar “queremos a Selic em 9% em 2012” e “precisamos crescer 4%” que o Banco Central, que não faz questão de trabalhar com autonomia, obedece. Repare que uma taxa de juros nominal de 9% equivaleria a uma taxa real de juros de 4,5%; estão firmadas portanto as novas metas da atual gestão: 4,5 de juros e 4,5 de PIB.

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