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Estudantes têm preferências bem-comportadas?

novembro 10, 2011

Ontem o Jorge colocou duas lindas funções de utilidade (imagino que sejam do Robinson Crusoé e do Sexta-feira) para ilustrar as preferências dos alunos por liberdade e segurança. Mas, será que funções Cobb-Douglas representam os anseios acadêmicos dos habitantes do planeta USP?

Só pra ser do contra, eu escolhi pegar uma funçãozinha singular pra ver o que acontece com a interpretação do problema. Em termos técnicos, pensei em uma função que – apesar de manter a convexidade das preferências – viola o axioma da monotonicidade.

Tome esta aqui:

(Pra quem gosta de museu: este tipo de preferência já caiu na ANPEC em 1992)

Veja só, este gráfico representa um mapa de preferência em que há saciedade, isto é, os excessos são indesejáveis.

Vamos analisar o comportamento das curvas de indiferença em quadrantes, tomando como referência o ponto de saciedade global. No quadrante 1 temos dois males, pois o consumidor tem demais dos dois bens. Nesse caso, a redução no consumo de ambos leva o consumidor para mais perto do seu ponto de satisfação. No quadrante 2 temos que liberdade é um bem e segurança é um mal. No quadrante 3 os dois são bens e, no quadrante 4, liberdade é um mal e segurança é um bem.

Embora a princípio pareça que liberdade e segurança são bens que quanto mais tivermos melhor, a representação com saciedade faz sentido para o típico estudante universitário.

Por um lado, estudantes vão evitar frequentar a faculdade enquanto se sentirem desamparados no campus; por isso, preferem um ambiente acadêmico com segurança para aproveitar toda a estrutura universidade. Contudo, abominam um lugar exageradamente monitorado, fato que pode acarretar um comportamento truculento da polícia oprimindo a geração de novas ideias.

Por outro lado, o estudante quer, com toda razão, ter seus direitos de liberdade de expressão assegurados; o excesso de liberdade passa a ser indesejado ao estudante típico quando a liberdade transforma-se em libertinagem. Nesta situação, o estudante (que pressupõe-se pretender ir à faculdade para estudar)  acaba sendo atrapalhado pelo aumento dos “free riders”, aqueles que são atraídos pela faculdade para pegar “carona” nas normas frouxas.

A grande questão consiste em descobrir em qual quadrante a universidade está hoje segundo a preferência de um estudante típico. Essa eu vou deixar pra você leitor…

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