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Vai prestar concurso? Já pensou se vai gostar?

novembro 14, 2011

Moro em Brasília há um ano e quando converso sobre perspectiva profissional com algum jovem invariavelmente chegamos a quais concursos que este está se preparando e as duas questões principais (senão únicas) que são analisadas são: o salário e a carga horária.

Obviamente que essas duas características são importantes em um emprego, mas e O QUE SE FAZ? No máximo o que se ouve é “um trabalho tranquilo, sem atendimento ao público”, mas eu, infelizmente, raramente ouvi “o trabalho é muito interessante”.

Daí entramos basicamente em duas frentes de discussão: satisfação no trabalho e eficiência no funcionalismo público.

A parte de satisfação no trabalho, como invade o espaço das áreas de psicologia e administração, me limitarei a comentar a Teoria de Hezberg, que diz que os fatores “higiênicos”, como salário e carga horária, se forem ruins causam insatisfação, porém se forem ótimos somente NÃO causam insatisfação. A satisfação, entretanto, só vem com o trabalho em si. A pessoa só estará satisfeita com o trabalho se gostar do que está fazendo. Se alguém tem dúvida quanto à insatisfação dos funcionários públicos eu indicaria este artigo “PROGRAMAS DE DEMISSÕES VOLUNTÁRIAS: UMA ALTERNATIVA AO SOFRIMENTO DO SERVIDOR PÚBLICO?”, basicamente ele diz que o excesso de burocracia nas empresas públicas leva ao sofrimento dos servidores diante de tantas “características tayloristas e às culturas organizacionais arcaicas onde prevalecem a política e o autoritarismo.”

Mas se as pessoas estão insatisfeitas por que elas não saem de seus empregos? Alguns poderiam dizer que não há mercado privado em Brasília suficiente, mas isso só justificaria um desemprego friccional, que em poucos anos estaria ajustado. O problema está na estabilidade. É fato que qualquer pessoa sensata gostaria de ter certeza que não será demitida, mas quanto custa esta vantagem? Eu poderia falar de diferenciais de salários, mas enfatizo aqui o custo da não-satisfação no trabalho ou da própria infelicidade, dependendo da definição assumida para tal.

A estabilidade deve ser compreendida não apenas como um direito dos funcionários, mas principalmente como uma defesa do Estado contra os poderosos que, sentindo seus interesses ameaçados pelos servidores públicos zelosos de sua função pública, logram sua demissão. Entendida a estabilidade segundo esta perspectiva, ela se justifica para as carreiras especificas de Estado. Como uma forma de perpetuar a ineficiência e a baixa remuneração dos funcionários em geral, não. (Bresser Pereira)

O próprio Bresser Pereira sugere ótimas alternativas para melhora desse quadro, como aumento da meritocracia, exigência de qualificação adequada (e remuneração compatível) para a alta administração (e não simplesmente “anos de casa”) e soluções também para a dissolução de empresas públicas sendo substituídas por fundações privadas de interesse público:

Nos países desenvolvidos um número crescente de escolas, de hospitais, de museus são organizações públicas não-estatais. São fundações privadas, que recebem recursos do Estado, mas são autônomas em relação a ele. Que buscam recursos na sociedade, a qual servem. Que se inserem no mercado sem perder seu caráter público.(Bresser Pereira)

Eu trabalho em uma empresa pública e admito alguns avanços nos últimos anos, mas como contribuinte vejo que há muito ainda a melhorar. Quanto à satisfação no trabalho? Entrei com aviso prévio há um dia! (rs)

4 Comentários leave one →
  1. Gustavo Crispim permalink
    novembro 16, 2011 1:29 pm

    Geração Y. Os baby boomers ou mesmo a geração X ficam doidos com essa “aversão” à estabilidade que temos. Desejo de satisfação e coisas novas. Boa sorte Caio, muito boa sua colocação.

    • Caio permalink
      novembro 17, 2011 2:01 pm

      Obrigado Gustavo!

  2. Anônimo permalink
    novembro 17, 2011 1:41 pm

    …é… o risco da instabilidade e baixo salário x satisfação não é pra todos. Acabamos “descobrindo” satisfação no serviço público quando a estabilidade e salário ainda gritam muito, muitíssimo mais alto. E não é um pensamento somente dos mais velhos não, é uma coisa de “ser humano”. Muitos jovens também enxergam maior satisfação na estabilidade e salário do que no serviço em si. A satisfação no serviço pode vir nas pequenas ou grandes melhorias que você, pessoa, consegue introduzir… O Caio tem razão, há muito ainda a melhorar. De fora, como contribuinte, alguém já conseguiu melhorar o serviço público? Passem a receita…

    • Caio permalink
      novembro 17, 2011 2:11 pm

      Anônimo, sem dúvida é uma questão polêmica, mas quanto a melhora, creio que não é quem tem o direito da estabilidade que vá acabar com ela, certo? Estas mudanças que comentei passam por mudanças nas leis e instituições. É claro que se cada um fizesse a sua parte poderíamos melhorar sem grandes mudanças imstirucionais, mas acho isso meio utópico, não acha?

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