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“Não há atalhos em investimentos” – a obra de William F. Sharpe

novembro 18, 2011

William F. Sharpe é uma pessoa tranquila e reservada, mas acima de tudo, muito, muito inteligente. O professor emérito de finanças da Graduate School of Business da Stanford University foi o primeiro economista dedicado ao estudo do mercado financeiro a ganhar o almejado Nobel de Economia, no ano de 1990. Sharpe contribuiu tanto para o estudo das finanças que até hoje, desde um grande banco até um pequeno investidor usa seus conceitos para montar seu portfólio.

Em seu trabalho mais famoso, Sharpe escreveu sobre como se deveria alocar recursos de fundos de pensão para diminuir ao máximo o risco de quebra do fundo. Porém, a pesquisa de Sharpe saiu do contexto dos fundos de pensão e se tornou referência para o mercado como um todo. O modelo do CAPM, a Capital Market Line, o beta dos ativos e o próprio Índice de Sharpe são extremamente relevantes na cabeça de qualquer gestor de recursos no mercado financeiro.

Sharpe também soube criticar quando a crítica se via necessária. Apesar de contribuir para o bom funcionamento de fundos de pensão em sua pesquisa, Sharpe não se acanha em dizer que os pensionistas são mimados ao acreditar que seu dinheiro não deve sofrer o risco de mercado, da mesma maneira com que outros sofrem. O economista defende que, mesmo o mais “protegido” dos fundos de pensão, corre sim o risco de sofrer perdas quando o mercado como um todo estiver sofrendo.

Outra contribuição do economista é o de olhar para o mercado financeiro como um problema de bens públicos. E por que isso? Pelo fato de que um ativo é precificado de acordo com o consenso no mercado. É nesse momento que Sharpe defende que existe um pouco de psicologia em finanças, algo completamente fora de cogitação para muitos dos gestores ainda hoje no mercado.

Pessoalmente, durante meu intercâmbio em Stanford nesse meio de ano, ouvi muito falar de Sharpe. Todos meus professores obtiveram seus PhD’s na universidade e, consequentemente, tiveram aula com o próprio, e nenhum, nenhum!, não tinha na ponta da língua algo que marcou eles sobre o professor. Algo que nunca vou esquecer foi repassado pelo professor Ye Tee Fu, que após ouvir um bocejo um tanto quanto alto na sala falou: “É bem assim. Sharpe já dizia, ‘Finanças é muito, muito chato. Se algum dia vocês começarem a achar finanças legal, motivante, é porque vocês estão fazendo algo errado!’”.

Outros papers importantes aqui, aqui e aqui e uma entrevista, para quem se interessar.

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