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Quando que se endividar é ruim?

janeiro 4, 2012

Hoje, navegando pela internet, vi um post do Krugman no seu blog com um argumento parecido. O prêmio Nobel de economia fez uma análise perfeita dos críticos à acumulação de ativos do governo norte-americano no exterior, mostrando que eles pagam mais do que custam! Isso me lembrou da frase que o professor Charles Feinstein ensinou no intercâmbio que estive em Stanford. “A primeira coisa a fazer na análise de um investimento não é olhar para o preço do projeto em si, e sim comparar ambas as taxas de retorno, a que o investimento irá te pagar, e a que você terá que pagar para fazer o investimento”.

O professor argumentava que é inútil o debate da dívida americana, pois os Estados Unidos, no momento, podiam tomar dinheiro emprestado a taxas baixíssimas. O que o professor queria dizer é que, ao invés de apenas pensarmos no argumento dominante de “Vamos cortar gastos agora para não ter problemas no futuro”, vamos fazer uma pergunta mais simples, “Quanto custará aumentar os gastos agora e o quanto esse aumento irá nos render?”.

E, mesmo parecendo ser um argumento e um raciocínio extremamente básico e fútil, muitas pessoas se esquecem de fazê-lo no dia-a-dia. Onde está o problema de orçamento dos EUA? Eles podem ter 14 trilhões de dólares de dívida, mas o mercado continua comprando dívida americana a taxas quase nulas. Se o governo americano olhar para um projeto – como os planos de estímulo ao mercado de trabalho americano e os projetos de infraestrutura de Obama – e ver que o retorno desses projetos é maior que a baixíssima taxa de juros que o governo americano toma para se financiar, qual o problema de dizer “sim” ao aumento dos gastos públicos?

É claro que essa análise tem que vir junto de uma reflexão profunda acerca das projeções e consequências de um aumento na dívida americana hoje nos próximos anos. Mas estamos nos esquecendo de que um dos piores agravantes para a rolagem da dívida pública de uma nação é recessão econômica. Por isso, acredito que temos que mudar a pergunta que os americanos se fazem no momento de discutir um novo programa de estímulo econômico e aumento de gastos públicos: “Quanto custa e o quanto rende?” e, ao mesmo tempo, largar o discurso de apenas “Corte, corte e mais corte para diminuir a dívida”.

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