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O que faz você feliz?

janeiro 7, 2012

Não estou me referindo à propaganda do supermercado, nem à música do Seu Jorge… é uma pergunta legítima para se refletir.

Faço essa pergunta, pois já pensei em perguntar isso para muitas pessoas que, aparentemente tem tudo, mas mesmo assim são infelizes. O interessante é que há explicações científicas/econômicas para isso!

De jeito nenhum eu quero entrar no mérito de família ou qualquer outro aspecto que obviamente podem influenciar ou mesmo ser a resposta à pergunta, mas, olhando para o lado material da moeda, se você procurar ler sobre o assunto você descobrirá que raramente você será feliz se depender da sua situação financeira.

Há um paper que explica detalhadamente isso, mas grosso modo, não importa quanto você ganhe, seu grupo de referência relevante (GR) quase sempre estará em uma situação melhor que a sua e, de acordo com pesquisas, o único jeito de você se sentir feliz com seu GR ganhando melhor que você é se a economia como um todo estiver crescendo e aquele clima de prosperidade lhe fará pensar que sua situação (rebaixada) é temporária e você provavelmente estará ganhando tanto quanto ou mais que seu grupo de referência em pouco tempo. (The tunnel effect)

O que acho mais interessante sobre isso é que, na maior parte dos casos, quando você conseguir seu objetivo inicial, seu grupo de referência mudará e seu novo grupo provavelmente será mais difícil de alcançar. Isso deve ser o motivo de as pessoas ficarem infelizes quando a economia vai mal, já que, na maior parte dos casos, o emprego da pessoa nem está realmente em perigo.

Senti isso na pele agora que estou mudando de emprego e de faixa de renda, mas ainda bem que, como poucas pessoas, não dou valor às coisas materiais e por isso para mim não faz diferença. E mudando um pouco de assunto, vcs viram aquela nova ferrari? Meu sonho… (rs)

6 Comentários leave one →
  1. Anônimo permalink
    janeiro 7, 2012 8:14 pm

    Adam Smith já falava isso se não me engano na “Riqueza das Nações” ou na “Teoria dos Sentimentos Morais”… Falava que a verdadeira felicidade não é atingida pelo dinheiro, mas que MUITAS pessoas pensavam que a situação financeira iria trazer a felicidade e por isso trabalhavam mais e mais, e essa “ilusão” de felicidade era uma das coisas que movia uma economia.

    Se der, leiam um livro que se chama “Felicidade”, do Eduardo Giannetti! É bom e toca esse ponto, assim como uns outros livros que abordam a Economia Comportamental (se der também leiam o best-seller “Previsivelmente Irracional”!).

    Abraços galera!

  2. Joao Carlos permalink
    janeiro 8, 2012 3:02 pm

    O que me faz feliz? simples só uma coisa no momento! é o governo parar de tirar dinheiro do aposentado, que pagou para se aposentar com X e hoje não ganha nem a perna do x, é um absurdo todo ano é a mesma coisa, sempre tem uma desculpa para o governo não pagar para os aposentados o que ele deveria pagar, e o engraçado é que para eles o aumento é sempre maior, este ano o governo teve a cara de pau de dar menos da metade do aumento do salário mínimo para os que ganham acima do piso, mas o mais injusto é que pagamos para se aposentar ganhando mais que o mínimo, então eu pergunto? porque ele recebeu? então devolva tudo que nos pagamos a mais com juros e correção, não seria isto o justo, agora mais injusto ainda é que a justiça brasileira assiste a tudo de camarote e não faz nada, dá para confiar numa justiça desta? eu não confio.

    • Antônio Galdiano permalink
      fevereiro 16, 2012 7:21 am

      Sr João Carlos, gostaria de propor a essa “Prosa Econômica” uma discussão sobre previdência. O Sr levantou uma questão muito dificil, pelo menos me passa a impressão de ser, e que a solução envolve inevitavelmente a política. A rigor sou a favor de um salário digno de aposentadoria, mas lembre-se que custear aposentadoria envolve tributação aos mais produtivos e a distribuição desse valor arrecadado pelo governo (aqui que mora o problema). Gostaria que essa discussão tivesse repercussão aqui, inclusive abordando formas alternativas de planejamento do futuro (pricipalmente aquelas formas que envolva minimamente o governo na solução e planejamento da aposentadoria). Fica a sugestão.

  3. Elisa Elísius permalink
    janeiro 8, 2012 9:56 pm

    Gostaria de encerrar esta “provocação” revelando que tudo o que faço para me sentir feliz, me faz feliz. Não é bem assim. Não me esforço o suficiente por um dos meus mais importantes afetos.
    Tomar banho, comer chocolate, tocar o corpo no mar, observar minha filha, conversar com minha mãe sem discutuir, brincar com minha cadela, fazer sexo, ler, escrever, prestar atenção às críticas do JP Cuenca sobre cultura, aprender a filsofia da Márcia Tiburi, rir do Diogo Mainardi ou compartilhar minha resposta aqui, dentre tantas outras coisas, são atos ou estados de felicidade não sublimável ao meu interesse por dinheiro.

  4. Antônio Galdiano permalink
    fevereiro 16, 2012 7:12 am

    Pelo que entendi, em uma análise “ceteris paribus”, a parte da felicidade concernente ao pecúnio é muito mais um movimento de expectativa de prosperidade e de prosperidade relativa (termo assim usado para descrever a prosperidade em relação ao tal próximo grupo de referência) do que de valores absolutos de renda e riqueza.
    Bom, se fosse para apostar, eu apostaria que essa conceituação se deu empiricamente com base em observações de pessoas dos países em que já há instaurado um nível mínimo de decência econômica a boa parte de seus cidadãos. Sinceramente não acredito que povos famintos no mundo estejam mais felizes se o ganho de renda possivelmente alcançado não atinja os níveis de suficiência alimentar, por exemplo, ainda que eles estejam em situação melhor que a inicial e em situação melhor a outros povos famintos sem crescimento econômico. É provável que essa análise carece do estabelecimento de um “gatilho” a partir do qual ela passe a valer, sendo esse gatilho um nível mínimo de renda/riqueza ou qualquer outra medida.
    Além disso, acredito que a fração de felicidade obtível através do sucesso econômico tenha seu valor percebido também com base na interação com outras variáveis não especificadas, de forma a dificultar e muito a análise “ceteris paribus” nos termos descritos. Note que caridade ocorre em todos os grupos de renda/riqueza, e que não existe proporção direta ou inversamente certa em relação á riqueza/renda quanto aos atos de caridade. Até concordo que possamos assumir “não-saciedade” a renda/riqueza ao comportamento da média, mas ainda assim vale a ressalva feita para o comportamento individual.
    Enfim, acho que se estivéssemos na Idade Média essa discussão se daria não em termos pecuniares, mas sim em termos de prestígio. Hoje em dia o dinheiro fala mais alto para a determinação do comportamento médio do que o prestígio, o que acredito ser uma idéia coletiva altamente adaptada ao conceito de capitalismo. Percebo inclusive que é o sonho de muitos trabalhar e acumular riqueza até o ponto que possa largar o trabalho mais cedo, e não em um exercício de acumulação infinita de recursos. Não há discussão sobre isso em termos ideológicos. As pessoas simplesmente perceberam que a vida de seus pais é muito custosa em termos de bem-estar e que possamos estar diante de uma construção de um novo paradigma de relações monetárias. A transição inicialmente feita de prestígio para “acumulação de riquezas sem objetivo pessoal predeterminado” dá a impressão a este postante estar em movimento para a nova transição de “acumulação de riquezas sem objetivo pessoal predeterminado” para “acumulação de riquezas com o objetivo de reduzir o trabalho”, para busca do Bem-Estar. Pode ser apenas uma impressão, mas parece ter aderência à realidade. Notem que muitos dos seus familiares mais velhos mencionam algo do tipo: “só vou parar de trabalhar quando morrer” ou “a gente morre mais cedo se parar de trabalhar”; note ainda que a chance de você ter esse mesmo tipo de raciocínio aproximasse assintoticamente de Zero. Vale a ressalva que isso nada tem de “pregar a queda do sistema”, uma vez que para obter o nível de riqueza necessário ao não-trabalho passa pelo desenvolvimento de um sistema de crédito eficaz e passa pelo desenvolvimento de tecnologias que permitam isso a um grupo expressivo da sociedade, ambos pressupostos que reforçam o sistema em vez de subjugá-lo.
    Desculpem o excessivo devaneio…

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  1. Essa tal felicidade « Prosa Econômica

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