Skip to content

Investimentos financeiros: Os melhores e piores do ano (parte 2)

janeiro 11, 2012

Na primeira parte citei três setores que apresentaram bons resultados no ano passado: os títulos da dívida americana, o setor farmacêutico, principalmente nos Estados Unidos, e empresas de consumo básico no Brasil, que foram influenciadas pelo bom desempenho do mercado interno do nosso país.

E os piores investimentos do ano que passou? Como comentei na primeira parte, um dos motivos para que os investimentos em títulos do tesouro nacional dos EUA terem se valorizado em 2011 foi a fuga de capital da Europa, graças aos riscos do endividamento dos países europeus. Dessa maneira, um dos piores investimentos no ano de 2011 foi a compra de títulos da dívida soberana dos PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha). O temor de um default grego e o respectivo contágio que poderia causar na economia europeia fez o valor destes títulos cair bruscamente ao longo do ano. Como podemos ver no gráfico, o retorno dos títulos italianos aumentou em 50%, o que significa que seus títulos perderam em valor de mercado algo em torno de 16,5%. Portugal, por exemplo, começou o ano vendendo seus títulos no mercado financeiro com retornos de 6,62% e, ao final do ano, via seus títulos serem negociados a taxas de 13%! A perda de valor dos títulos europeus foi a principal causa para a quebra da MF Global, fundo de investimento do badalado gestor e ex-senador dos EUA Jon Corzine. ( mais sobre a MF Global aqui )

(Taxa Interna de Retorno dos títulos de 10 anos da Itália, em %, de 01/01/2011 a 01/01/2012)

(Taxa Interna de Retorno dos títulos de 10 anos de Portugal, em %, de 01/01/2011 a 01/01/2012)

Voltando para as empresas e a bolsa de valores, em 2011 uma empresa de tecnologia assustou os investidores quando perdeu nada mais nada menos que 58% do seu valor de mercado em apenas três meses! A Netflix – que nada mais é que a empresa pioneira no serviço de aluguel de filmes pela internet – viu sua ação cair de US$ 233,00 no começo de setembro para US$ 95 no final de dezembro. Este movimento do mercado gerou uma onda de rumores acerca de um possível estouro da bolha das empresas de tecnologia listadas na bolsa, nos mesmos moldes do que ocorreu no começo da década. Este efeito foi considerado uma das maiores causas para o atraso no IPO do Facebook, tão esperado pelo mercado e também é um sinal de que devemos tomar cuidado com as empresas “.com” nos próximos anos. O grande problema dessas empresas está no fato de que elas não possuem ativos reais, isto é, o valor de mercado delas é, em geral, dado por serviços que são extremamente voláteis. Veja o exemplo de empresas como MySpace, que já tiveram avaliações bilhonárias pelo mercado e hoje não valem um centavo sequer. A internet muda rapidamente e, por isso, é muito difícil fazer a avaliação do valor de uma empresa cujo valor dos ativos é pífio, e o que sustenta a sua receita é o número de usuários que utilizam o seu serviço. O que aconteceu com a Netflix foi que seus clientes deixaram de usar o serviço do site, graças à concorrência do iTunes entre outros serviços. Assim, a ação despencou.

(Preço da ação da Netflix, em US$, de 01/01/2011 a 01/01/2012)

E por fim, na nossa terrinha, um dos piores investimentos do ano ficou por conta da Lupatech. A empresa é produtora de peças e maquinário e o seu principal cliente é a Petrobras. E é ai que está a razão do mau desempenho da Lupatech. O foco da discussão não está na empresa em si, e sim no seu principal cliente. A Petrobras vem tendo problemas quanto à sua gestão, que é pública, mas se diz eficiente como privada. Acontece que não é. A Petrobras tem tido uma série de problemas para cumprir prazos e a esperança de um resultado extraordinário com o pré-sal vem cada vez mais indo por água abaixo. Não que não irá se retirar o petróleo do pré-sal, mas que os prazos dados pela Petrobras para o início da produção não serão cumpridos, eles não serão. Esse fato massacrou também as ações da Petrobras, mas em menor escala, pois a receita irá vir. Na mínima do ano, a ação da Petrobras chegou a cair 37% entre abril e outubro. Já a pobre Lupatech, que tem que se contentar em mudar a sua estratégia de crescimento pelos próximos anos pelos erros do seu maior cliente, sofre com o endividamento criado pelas expectativas de que o crescimento da Petrobras viria mais rápido do que a realidade. No final, quem perdeu foi o investidor que acreditou nessa empresa, cujo papel caiu 77,5%.

(Preço da ação da Lupatech, em R$, de 01/01/2011 a 01/01/2012)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s