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É a hora de Mitt Romney?

janeiro 18, 2012

Temos um candidato republicano. A não ser que haja um escândalo nos próximos dias, Mitt Romney será o candidato republicano nas eleições presidenciais deste ano nos Estados Unidos. O ex-CEO e fundador da Bain Capital, empresa de private equity vinculada à gigante de consultoria Bain & Company, é ex-governador do estado de Massachusetts e a sua experiência no setor privado é muito maior que a no setor público. Romney foi governador do estado entre 2002 e 2007, quando saiu sem tentar a reeleição. Motivos de crítica para alguns, elogios para outros, o executivo de 64 anos é um político moderado que inspira dúvidas e divide a opinião mundo afora.

Depois dessa breve introdução, vamos aos fatos que fazem de Romney uma certeza e uma dúvida ao mesmo tempo. O fato de ter uma trajetória impecável no setor privado, onde enriqueceu e ganhou fama de ótimo CEO e líder nos negócios por onde passou, faz de Romney uma pessoa com imagem de “faxineiro”, alguém que vai melhorar a eficiência do governo americano e diminuir gastos, sem diminuir a eficiência da máquina pública. Ao mesmo tempo, os democratas e setores mais à esquerda nos EUA reclamam da falta de experiência em cargos públicos de Romney. No tempo em que foi governador, Romney foi severamente criticado por acreditar que Detroit, cidade em que nasceu, tivesse que ser deixada falir depois da crise de 2008, quando houve a concordata da GM, empresa que é símbolo do setor automotivo forte do estado. Na época, suas polêmicas ideias sobre Detroit foram resumidas neste texto publicado no NY Times. A cidade vem retomando o ritmo de crescimento econômico recentemente, mas ainda sofre com os efeitos da crise. Desde 2006, Detroit perdeu nada mais nada menos que 25% de sua população.

Mas os insucessos de Romney param por aí. O ex-governador se tornou milhonário ao fazer o que toda firma de private equity faz, comprar empresas em ruínas a um preço baixo e reestruturá-las para vendê-las posteriormente a um preço mais alto. E o que faz Romney ser tão bem visto pelos americanos é que, simplesmente, Romney faz isso muito bem. O ex-CEO republicano foi responsável por inúmeras histórias de superação de companhias onde ele entrava quando havia o caos e saía quando os lucros voltavam a aparecer. Os números de Romney são incontestáveis e é claro que ele sabe muito bem como tirar uma empresa do buraco.

Então, a pergunta que fica é simples. É o momento de chamarmos um executivo de uma firma de private equity para “investir e reformular” o governo dos Estados Unidos? As políticas defendidas por Romney não são das melhores, mas se o candidato republicano for eleito, veremos um governo que irá cortar gastos e investir em infraestrutura, algo que Obama não conseguiu pelo fato de ter um congresso dividido e não apresentar programas de corte de gastos convincentes. Apesar de termos opiniões bem formuladas de economistas como Krugman de que “os Estados Unidos não são uma empresa”, talvez seja hora de começar a gerir o governo mais parecido como uma, e não desviar ainda mais o governo para o lado dos ideais de esquerda de Obama, o que ocorreria caso o atual presidente se seja reeleito.

E mais, as políticas de incentivo econômico de Obama estão começando a surtir efeito. Por isso mesmo, talvez seja hora de fazer a curva em termos de política econômica e da forma em como gerir o governo. E, o melhor piloto para os Estados Unidos neste momento é sim, Mitt Romney.

10 Comentários leave one →
  1. Saulo permalink
    janeiro 18, 2012 1:23 pm

    Olá André, muito bom texto, muito bem ponderado. O fato é que Krugman está certo; os EUA podem até ser comandados por meia dúzia de gigantes de Wall Street, mas definitivamente não são uma empresa, e nunca vão conseguir ser, pois uma empresa não tem o componente social. Dentro de uma empresa, não há argumentação da “massa”; aquele que argumentar está fora. Tudo se resume então a um equacionamento financeiro. E o Romney se mostrou um especialista nessa área.
    Agora nunca, nunca mesmo, nem pense em comparar recuperação de uma empresa quebrada com a recuperação de um Estado quebrado. O problema da dívida pública norte americana não se restringe somente a corte de gastos, e sim a uma reforma tributária profunda, a questão da ordem econômica e política mundial, entre outros muito fatores. O corte de gastos é interesse da elite financeira, pois os cortes sempre vão se concentrar em áreas que afetam a massa, que, obviamente, não tem o poder de barganha dos grandes.

    Muito bom o seu texto e o blog de vocês.

    Abraço

    • André Falkenbach Santoro permalink
      janeiro 18, 2012 5:43 pm

      Saulo, primeiro de tudo, muito obrigado pelo comentário!

      Eu gostaria de fazer apenas uma ressalva ao seu ponto de vista. Entendo que há muito lobby de uma elite mais rica da sociedade americana (o 1% que os protestantes do Occupy Wall Street tanto se opõem!) que apenas luta a favor de sua classe que tem condições de se sustentar e não iria se prejudicar com grandes cortes no orçamento americano. Porém, o que argumento é que os Estados Unidos precisam sim de reformas, e Obama falhou em todas as suas tentativas. Apesar de entender que é difícil comparar Estados e empresas, por motivos como o aspecto social citado pelo senhor, acredito que os EUA tem que andar um pouco mais para o lado da empresa, e buscar maior eficiência nos gastos públicos. Para isso, acredito que o candidato mais preparado é Romney, que tem o perfil de alguém que irá buscar curar essa ineficiência de maneira mais racional – não como os conservadores do Tea Party e nem como Obama, que daria um salto mais à esquerda.

  2. Gustavo Cortes permalink
    janeiro 18, 2012 1:39 pm

    Olá, André,

    Me desculpe se estiver errado, mas o Romney foi governador de Massachusetts e não de Michigan, não é mesmo?
    Se a resposta for afirmativa, ele não teria responsabilidade pela decadência de Detroit.

    Abraço,
    Gustavo.

    • janeiro 18, 2012 2:35 pm

      Olá Gustavo, agradeço o feedback. Fiz a atualização do texto. Dá uma olhada no link colocado no texto, lá consta as ideias de Romney em relação a Detroit.
      Abraço

  3. Moises R. Coimbra permalink
    janeiro 18, 2012 1:44 pm

    Apesar de não concordar com a sua opinião..Achei legal o post.

    Um abraço!

    • André Falkenbach Santoro permalink
      janeiro 18, 2012 6:01 pm

      Obrigado Moises! Se puder me dizer no que discorda ficaria agradecido, nosso objetivo aqui é não só expor nossas opiniões, mas também estimular o diálogo

      • Moises R. Coimbra permalink
        janeiro 19, 2012 11:44 am

        Bem em linhas gerais concordo sua opinião no que tange o candidato republicano Mitty Romney ter sem sombra de dúvida esse destaque em reestruturar empresas devastadas e transformá-las em empresas de sucesso. Contudo, discordo plenamente em acreditar que o Estado possa ser administrado com as mesmas práticas e políticas de gestão empresarial. Ao meu ver, apesar de algumas críticas diretas à administração do Barack Obama, parte dos problemas ocorridos durante os anos de sua administração se deve ao fato do impasse gerado pelo próprio partido republicano. De todo modo, Barack Obama tem indubitavelmente melhor preparo no setor público e privado do que seu eventual candidato Mitty Romney.

        Um abraço André e obrigado pelo espaço aberto que você proporciona aos leitores de de expor suas opiniões e críticas.

  4. janeiro 18, 2012 2:23 pm

    Os EUA não enfrentam tamanha crise, desde 1930. Qual foi a saída?
    Intervenção estatal. (Keynes)

    Ele pode ser CEO, grande empresário, etc., mas disse bem Krugman “os EUA não são uma empresa”.

    Somente o aumento dos gastos do governo, aumentará a demanda agregada nos EUA. Se insistirem em cortes, estarão tirando mais da população, que ficará cada vez mais “distante” do governo.

    Não adianta um liberal num momento que o país necessita de um neodesenvolvimentista.

    Abraços

    • André Falkenbach Santoro permalink
      janeiro 18, 2012 5:49 pm

      Elaine, entendo sua comparação com a crise da década de 30, mas acredito que ela está errada. Digo o porquê.

      Na época os EUA não tinham a dívida pública que tem hoje. E mais, o setor privado, principalmente o setor financeiro, não era tão desenvolvido e poderoso como é hoje. Essa combinação de dívida pública exorbitante e setor privado mais forte permite com que os EUA se dêem o luxo de limitar a ação do Estado na economia e os investimentos privados empurrarem a economia em direção ao crescimento. Para que o setor privado volte a investir nos EUA com vigor, é necessário que o governo dê um voto de credibilidade para os investidores, com um corte nos gastos de governo e/ou um programa de infra-estrutura que garanta bases para o retorno seguro dos investimentos.
      Acerca da demanda agregada, é importante lembrar que os EUA já são, de longe, o país que mais consome no mundo. Então, não é necessário termos uma ação estatal no aumento de demanda, pois ela já existe e é alta! A necessidade no momento é de incentivar as empresas mundiais de transferirem seus investimentos para dentro dos EUA, e para isso o Estado tem que garantir infra-estrutura e juros baixos, o que se dá com ambas as medidas que citei acima e que acho que Romney é o pré-candidato mais preparada para fazê-las.

  5. Elaine permalink
    janeiro 20, 2012 12:25 am

    Olá, André!

    Nossas opiniões têm o viés ideológico, pois, vejo claramente que o laissez-faire vem afundando os EUA desde 2008.

    Obama teve um compromisso de campanha e o cumpriu tardiamente, o corte de gastos militares, um dos pilares econômicos dos últimos anos. Isso é um sinal nitidamente intervencionista.

    Mesmo que a demanda ainda esteja entre as maiores, acaba de acontecer a liberação de vistos a brasileiros e chineses, visando exatamente o aumento da demanda agregada.

    Não acredito nem que o próprio povo dê novo aval a voto de confiança a investidores, haja vista movimentos como Occupy Wall Street (http://occupywallst.org/), que além das demandas por mudanças nas regras eleitorais, exige uma reformulação no sistema financeiro atual, onde os “bankrollers” criminosamente faliram a nação e destruíram a economia global. Eu acrescentaria, com seu “animal spirits” impedem a poupança da população, diminuindo a procura efetiva e gerando desemprego.

    É a fase recessiva do ciclo econômico, o momento de intervenção. O governo vai aplicar todas as medidas neodesenvolvimentistas para aumentar a demanda agregada e corrigir a deficiência do capitalismo, que desvia-se do modelo em algum ponto do ciclo. Para isso, vai gastar mais do que arrecada, aumentando o déficit público através de mecanismos que introduzam moeda na economia. Mais moeda, mais consumo, aumento da produtividade, renda, poupança, emprego e investimento.

    Acho que uma grande nação deve reerguer-se e sair das crises através da força do seu próprio povo, assim o investimento externo é uma consequência, não a solução.

    Seja qual for o pré-candidato republicano escolhido – hoje houve debate entre os 4 na CNN, Romney foi o mais aclamado – para disputar as eleições, acredito que o melhor para os EUA seja a reeleição de Obama.

    Abraços

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