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Setor externo, inflação e política fiscal

janeiro 19, 2012

A redução de 0,5 ponto percentual pelo BC na última reunião do Copom trouxe a Selic para 10,5% ao ano. Dado que o comunicado do Copom foi idêntico ao da reunião anterior, espera-se que na próxima reunião a taxa deva continuar em queda. Começa agora a ganhar espaço a discussão de quando deverá ser colocado fim neste ciclo de cortes dos juros.

A decisão feita na última reunião, bem como as próximas a serem tomadas, dependerá da forma como o Banco Central avalia a atividade econômica brasileira à luz da dinâmica externa. Tomo como referência o último Relatório de Inflação elaborado pelo BC, para ter uma ideia de como o a autoridade monetária vem interpretando o setor externo, a inflação e o quadro fiscal, elementos do tripé analítico do BC.

Setor Externo

O panorama de agravamento dos ânimos da economia global está preocupante aos olhos também do BC, exemplos disso ocorreram no final do ano passado com a pisada no freio pela indústria chinesa, a redução nas importações de bens brasileiros por parte dos EUA e a consolidação do quadro de debilidade financeira na Europa. A morosidade em relação às medidas de resgate a serem implementadas pela Eurolândia tem gerado muita instabilidade e aumentado o nível de desconfiança sobre a solidez dos bancos. A ópera pode ser resumida em movimentos de aversão ao risco por parte do mercado financeiro e revisões cada vez piores em relação à atividade econômica mundial.

No âmbito externo, a dinâmica da inflação continua em grande medida atrelada ao comportamento das commodities. A queda dos preços desses produtos (vide gráfico abaixo do Índice de Commodities por segmento), juntamente a perspectivas de baixo crescimento externo, fazem o Banco Central colocar fé num viés desinflacionário daqui para frente.

Vira e mexe o BC diz que a crise mundial inspira desinflação. De verdade, o que a crise e suas incertezas inspiram é volatilidade. Se por um lado, açúcar, algodão e café subiram nos últimos meses e vem caindo ultimamente; por outro, os preços de petróleo vem oscilando positivamente.

Inflação e expectativas

Para realizar suas previsões a autoridade monetária precisa tomar um cenário como referência. Nele, o Banco Central considera dados de preços, câmbio, juros e espera colaboração por parte da política fiscal (isto é, o cumprimento do superávit primário).

Desta forma, o BC projeta que a inflação acumulada em doze meses ficará passeando acima do centro da meta de 4,5% até o final do primeiro semestre de 2012, e depois venha a se deslocar em direção ao centro.

Política fiscal

É importante frisar que o cenário com o qual a autoridade monetária trabalha está sempre sujeito à concretização das metas fiscais. No âmbito fiscal, o desempenho da arrecadação via aumento de impostos e, em menor escala, a moderação das despesas, têm trazido resultados notáveis ao superávit primário e à Dívida Líquida (vide gráfico abaixo).

Os números são bons, mas o momento atual poderia ser de debate legítimo de consolidação fiscal, com mais eficiência do gasto público, através do corte de despesas sem o aumento de tributos.

2 Comentários leave one →
  1. Saulo permalink
    janeiro 19, 2012 3:44 pm

    Gostei da análise. Realmente a inflação gera ainda incertezas nos agentes, por mais que o BC continue com o discurso do viés desinflacionário. Não acho que vai se repetir o que aconteceu ano passado, quando o mercado reagiu bastante, em vários momentos , contra uma possível aceleração descontrolada.
    Quanto a parte fiscal do tripé, não devemos esquecer uma reforma tributária, pois cortes nos gastos públicos podem ser medidas interessantes a curto prazo. Porém, se tais cortes não forem feitos de maneira qualitativa e agregado a uma melhor tributação, os problemas podem voltar a longo prazo (vide Brasil no final dos anos 80 ou no governo Collor).

    Abraço!

  2. Antônio permalink
    janeiro 30, 2012 9:28 am

    “Os números são bons, mas o momento atual poderia ser de debate legítimo de consolidação fiscal, com mais eficiência do gasto público, através do corte de despesas sem o aumento de tributos.”

    Concordo plenamente, porém esse é o tipo de coisa que não sei se verei no Brasil enquanto estiver vivo (tenho 27 anos). O brasileiro gosta de um governo paternalista e não percebe a nocividade disso. Governo é necessário, por N razões, porém vale a analogia aos remédios: pode curar como pode matar (a eficiência), depende da dosagem.

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