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O déficit norte-americano: a culpa é dos republicanos!

janeiro 30, 2012

Os Estados Unidos vivem um problema complexo. Mesmo sendo aparentemente uma das nações com menor intervenção estatal na economia, as contas públicas norte-americanas não batem. O país que por muito tempo teve seus títulos de dívida pública considerados risk-free, viram o rating de seus bonds serem rebaixados de AAA para AA+ pela primeira vez na história, em agosto do ano passado. Muitos discutem de quem é a culpa pela crise da dívida americana, e o meu objetivo é mostrar que a culpa é de todos e a solução, também tem que partir de ambos os lados da política americana.

Depois do final dos anos 60, os Estados Unidos perderam o hábito de pagar o orçamento público através da arrecadação de impostos. A culpa deste fato está em Nixon, que saiu do padrão-ouro para pagar pela guerra do Vietnã sem que os EUA entrassem em recessão. Mas não estou aqui advogando em prol do retorno ao padrão-ouro. A real derrocada se deu no governo de Ronald Reagan, talvez o presidente mais querido pelos americanos.

Reagan começou o seu governo cortando impostos, o que gerou uma diminuição da arrecadação de algo em torno de 5% do PIB norte-americano! Mas se engana quem pensa que Reagan era irresponsável. O ex-presidente, ao ver as consequências irremediáveis que suas medidas de corte de gastos geraram na economia americana, aumentou os impostos em cinco ocasiões diferentes em seu governo nos anos 80, ao mesmo tempo em que reformou o Social Security americano, diminuindo os seus gastos e peso no déficit.

Mas então, onde está a culpa dos republicanos? A culpa está na geração que substituiu Reagan e que criou uma nova imagem (irreal) do ex-presidente americano. A geração de republicanos liderada por George W. Bush, Newt Gingric, Dick Cheney, Tom DeLay e Dick Armey criou uma imagem de que os reais conservadores são aqueles que nunca aumentam impostos e de que, o aumento de impostos nunca é a solução, pelo contrário, teria destruído as contas americanas e gerado o aumento do rombo visto nas últimas duas décadas nos Estados Unidos. No governo de Bill Clinton, o presidente afirmou que o déficit era um dos principais problemas que ele iria se dirigir durante seu mandato. O resultado foi que Clinton conseguiu aprovar um programa que aumentou em 240 bilhões de dólares ao ano os impostos, ao mesmo tempo em que cortou 255 bilhões de gastos no orçamento americano, e sem um voto sequer de republicanos, que na época tinham como líder no Congresso Newt Gingrich, que conseguiu chegar em 1995 à liderança da Câmara como um todo.

Estes republicanos o fizeram com a ajuda do crescimento chinês, que tornou tão fácil para os EUA tomarem empréstimos no mercado financeiro, já que os próprios chineses derramam todo o seu superávit comercial em títulos da dívida pública americana, para manter estes dólares longe de sua economia e deixar sua moeda depreciada, sustentando o seu modelo de crescimento exportador.

Juntando ambos os fatores, ideológicos e conjunturais, você chega ao governo Bush, que demitiu o seu primeiro secretário do Tesouro, Paul O`Neill, por se opor a um programa de cortes irresponsáveis de quase 350 bilhões nos impostos, ao mesmo tempo em que a invasão norte-americana ao Afeganistão estava a pleno vapor e já se desenhava o início da guerra do Iraque.

Mas foi só isso que resultou em 14 trilhões de dólares de dívida?

Obs: esse é o primeiro da série de três textos que eu irei publicar acerca do problema das contas públicas dos Estados Unidos, e os três são baseados na leitura do capítulo 9 do livro “That Used to be Us” dos autores Thomas Friedman e Michael Mandelbaum.

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