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Por essa bolha você não esperava

março 2, 2012

Há uma semana o Poloni escreveu sobre revista em quadrinhos, uma alternativa de investimento que vem trazendo altos retornos. O Drunkeynesian alertou para a formação de uma bolha no mercado dos quadrinhos e nos enviou este link. O evento tem até nome: o Crash de 1993.

A bolha das revistas em quadrinhos foi resultado de uma série de eventos. Anos antes da quebra a indústria recebeu um novo sistema de distribuição, as empresas distribuidoras passaram a determinar quem podia vender revistas em quadrinhos. Duas dessas empresas ganharam destaque, começaram um curso agressivo de expansão e a qualidade das historinhas começou a ficar em segundo plano. Apesar disso, nesta época as lojas de quadrinhos proliferaram, passando de 800 em 1979 para 10.000 em 1993.

É inegável que a especulação era parte importante da história. Ganhos de preços para os quadrinhos ao longo da década de 1980 atraiu especuladores, que empurraram os preços ainda mais para cima. As pessoas compravam as revistinhas simplesmente porque acreditavam que pudessem vendê-las mais caras no ano seguinte. E assim estava formada a espiral perfeita para a porca torcer o rabo. Os preços das revistinhas subiam somente porque os especuladores (ou, no caso, colecionadores) esperavam que eles pudessem subir.

Isto não quer dizer, no entanto, que a racionalidade dos compradores estivesse sendo violada. Pelo contrário, à medida que a bolha inflava, os investidores podiam até ter percebido a possibilidade do colapso, mas, também, a possibilidade de que a bolha continuaria a pleno vapor, permitindo que vendessem a revista por um preço ainda mais elevado. Foi o caso do jornalista autor da notícia indicada pelo Drunkeynesian. Na época, ele era um moleque de apenas 12 anos e comentou que estava pronto para vender suas coleção por US$ 5.000 e comprar um carro. Ele segurou as revistinhas por mais um tempo pois acreditava que o retorno fosse maior no mês seguinte. Foi aí que a bolha estourou e, era uma vez uma revistinha valiosa…

Este é mais um caso de modismo em economia. Basicamente, a forma mais comum de reconhecê-lo em finanças é olhar para os desvios de preços de ações e comparar com o valor fundamental. Já reparou o quanto estamos rodeados por coisas sem fundamento que sobem na mídia como um foguete? Uma hora é o apartamento da Luiza do Canadá que subiu de preço só porque a Luiza estava no Canadá, outra hora é a vida da fulana do BBB. Passado um mês as pessoas caem na real e ninguém mais quer saber disso. Bom, pelo menos até que o próximo modismo se instale.

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