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A TED e a inocuidade das ideias

março 11, 2012

“FALA MUITO! FALA MUITO!” (Tite sobre Felipão)

Na última semana aconteceu mais uma conferência da TED. Para quem não conhece, esse é um evento em que pensadores, cientistas, escritores e empresários são convidados para dar palestras com ideias que valham a pena serem compartilhadas. “Ideas worth spreading” é o lema. Algumas personalidades importantes já participaram, como Bill Gates e Bill Clinton. O conceito do evento é tornar o desempenho do palestrante impecável, com o objetivo de seduzir a audiência através da persuasão das ideias.

Essas palestras são uma conjunção entre o ideal do iluminismo escocês e da megalomania da sociedade do espetáculo: as ideias governam o mundo dos assuntos humanos e para disseminá-las um grande espetáculo deve ser armado.  Por ter sido criada no Vale do Silício, a conferência tem um forte viés para a tecnologia. Em alguns discursos é fácil perceber que acreditam que as inovações tecnológicas deixarão mundo cada vez melhor.

A pretensão da TED é deveras ambiciosa. Eles acreditam no poder das ideias para influenciar a conduta e as instituições humanas. Mas, existem alguns problemas com o conceito. O homem dispõe de faculdade racional, mas também está sujeito a propensões corporais, ou pulsões como diria Freud.

Nesse sentido, as paixões da imaginação tem um papel central de formação das crenças e mudança social. Isso quer dizer que as ideias disseminadas pelos pensadores não tem tanto impacto no comportamento prático dos agentes.

Isso ocorre devido a dois motivos: 1) a lógica de mercado nos torna infiéis as nossas opiniões e crenças. Isso significa que mesmo contra a insensibilidade dos bancos, talvez não recusaríamos um emprego numa instituição financeira num momento de desemprego e 2) os agentes não tem plena consciência de suas próprias vontades. Ou seja, não compreendemos o funcionamento de nossas próprias mentes. Por que é difícil começar a dieta na segunda, se a deliberação da sexta, depois da pizza parecia tão convicta?

Com base nesses dois argumentos conclui-se que a disseminação das ideias por si só mostra-se sem aplicabilidade no comportamento prático, restando a TED ser nada mais que um espetáculo em que intelectuais e cientistas tornam-se “entertainers”.

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