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Spread bancário, por que você é tão alto no Brasil?

maio 4, 2012

“Querem jogar a conta nas costas do governo”, Mantega ontem sobre os bancos comerciais.

A questão do alto spread bancário no Brasil dá muito “pano pra manga”.  Na semana passada, a presidenta Dilma declarou que era difícil de explicar o spread no Brasil. Isso motivou muita gente a escrever sobre o assunto.

Em comentário ao post da semana passada, Luiz Fernando Antônio, ex-diretor do Departamento de Operações de Comércio Exterior da Secretaria de Comércio Exterior do MDIC, chamou a atenção para os determinantes do alto spread brasileiro. Segundo ele, para entendermos o spread brasileiro temos que voltar no tempo, e entender o processo de concentração do setor bancário ao longo dos últimos 40 anos. A ideia é que a concentração das operações financeiras em poucos bancos, além do aumento dos depósitos compulsórios, tornaria o sistema financeiro mais eficiente e seguro.

Mas se esse for mesmo o caso, então o spread seria resultado da falta de concorrência no setor bancário. Nesse caso, como ressaltou Mansueto em seu blog, as instituições que deveriam fiscalizar o sistema financeiro e a concentração de mercado (Banco Central e CADE) teriam falhado. Para Mansueto, se a redução do spread não for permanente, isso evidenciará que não há falta de competição no setor, isto é, mesmo com poucos bancos, o setor ainda sim é competitivo.

Adolfo Sachsida em seu blog, enumera basicamente 3 motivos para explicar o alto spread brasileiro: A legislação brasileira que protege demasiadamente o devedor (o que aumenta tanto o risco moral quanto a seleção adversa, elevando o risco das operações de crédito); os excessivos tributos que incidem sobre as operações financeiras; e mais uma vez a concentração da atividade bancária. Rolf Kuntz também ressalta a concentração do setor bancário como determinante do spread. Segundo ele, “em 1996, os 10 maiores bancos detinham 50,8% dos ativos do setor. Em 2010, a fatia cresceu para 80,9%”.

Todavia, os determinantes macroeconômicos também são fatores importantes a serem considerados na explicação do comportamento do spread. Segundo o artigo “Determinantes macroeconômicos do spread bancário no Brasil: teoria e evidência recente”, a incerteza no ambiente macroeconômico que envolve os bancos é uma importante causa dos elevados spreads no Brasil. Os autores destacam o nível e a volatilidade da taxa de juros, além da produção industrial (demanda por crédito) como os principais determinantes macroeconômicos do spread brasileiro.

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