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Austeridade: o gráfico que deu o que falar

maio 16, 2012

Uma briga feroz de ideias se instalou na mídia internacional nos últimos dias. Tudo começou com esse gráfico de Veronique de Rugy, pesquisadora da George Mason University:

A austeridade fiscal não significa grandes cortes de gastos

A pergunta que se faz é: onde estão os cortes selvagens de gastos que assolam a zona do euro?

Ao contrário, após anos de aumentos de gastos o gráfico mostra que países amplamente citados pela adoção de medidas de austeridade (como Espanha, Reino Unido, França e Grécia) não reduziram significativamente os gastos nos últimos anos. Segundo ela, em alguns países os cortes de gastos foram sim desprezíveis e, para a Europa como um todo, o aumento dos impostos foi um componente muito maior do que cortes de gastos.

O debate ganhou fôlego quando Tyler Cowen mencionou esse gráfico em seu blog. A partir de então, Ryan Avent da The Economist e correspondentes do Washington Post, além de pesquisadores do naipe de Justin Wolfers, escreveram uma série de respostas contestando frontalmente o que foi dito por Tyler Cowen e sua companheira Veronique de Rugy. Uns disseram que o gráfico não deveria estar em termos nominais, outros disseram que existe problema na escala do gráfico e, a partir daí, surgiu uma série de outros gráficos.

De fato, se você olhar o déficit estrutural/PIB as coisas parecem mudar de cara (gráfico de Blad Plumer, Washington Post):

Tyler Cowen rebateu as críticas dizendo que eles não estão pensando “profundamente o suficiente”. Para ele, quando se quer julgar se a política fiscal é contracionista ou expansionista em termos macroeconômicos: “não se deve ajustar automaticamente a porcentagem do PIB e a inflação”. Deve-se em vez disso, iniciar analisando “os gastos nominais do governo, e então talvez dar uma olhada no PIB nominal ou medidas afins. A teoria, afinal, é sobre valores nominais, acima de tudo no curto prazo.”

E acrescenta:

Na maioria das vezes “austeridade” é uma palavra enganosa e conceitos mais precisos – facilmente inteligíveis, devo acrescentar – estão disponíveis.

Em resumo, esse embate vem servindo para lembrar que existem várias formas de austeridade na tentativa de reduzir a relação dívida/PIB ou o déficit, e que o termo “austeridade fiscal” ainda carece de uma definição precisa. Ressalta-se então, que a austeridade não pode ser confundida como uma política exclusiva de corte de gastos, mas também de aumento dos impostos, ou ainda uma mistura de ambos.

O debate não deve parar por aí. A discussão já virou novela, está tão animada que até o twitter vem sendo usado para colocar a briga em dia. Tem sido bem divertido de acompanhar.

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