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Na “Pegada” da Rio+20

junho 24, 2012

William Rees (à esq.) e Mathis Wackernagel – Imagem: Revista Época

Nos últimos dias, a conferência Rio+20 tem suscitado várias discussões. A mais perturbadora é a discussão acerca de qual é a população máxima que a Terra suporta. É quase impossível para um economista falar sobre esse assunto e não se lembrar de Malthus.

Em 1798, Malthus publicou o “Ensaio sobre a população”, no qual o autor concluiu que a população crescia a uma taxa superior ao crescimento da produção de alimentos. Em decorrência disso, fome, guerras e disputas por territórios eram algumas das previsões Malthusianas. Mas, como sabemos, essas previsões não se tornaram realidade. Primeiro, porque as taxas de crescimento da população não foram tão altas quanto Malthus esperava. E segundo, porque a produção de alimentos aumentou, principalmente por conta do progresso tecnológico. Nesse sentido, os economistas de modo geral tendem a não acreditar nessas previsões apocalípticas de fim dos recursos, principalmente em função do progresso tecnológico (que permite aumentos de produtividade) e do comércio exterior (o que permite que os países não sejam obrigados a produzir tudo que consomem).

Nessa semana, mais uma vez o assunto ganhou destaque após a declaração de William Rees: “Será quase impossível ser sustentável com 9 bilhões de pessoas no planeta”. Rees e Mathis Wackernagel são os criadores da Pegada Ecológica (Ecological Footprint), uma metodologia para estimar a quantidade de recursos naturais, tais como água, matéria orgânica, energia, ou ar limpo, que uma população consome em relação à capacidade da Terra repor naturalmente o que foi gasto. A partir de então, essa ferramenta tem sido utilizada no mundo todo. Existe uma porção de calculadoras da pegada ecológica por aí (calcule a sua pegada aqui).

Para se ter uma ideia, segundo o site footprintnetwork.org, se todos no mundo consumissem como o Brasil, a pegada ecológica mundial seria de 1,65 planetas. Por outro lado, se o mundo consumisse como os EUA, seriam necessários 4,05 planetas.

Fato importante é que a Pegada Ecológica é calculada para um dado estilo de vida e um dado nível tecnológico. Esse é um dos pontos mais questionados da medida. Em entrevista à revista Época, Rees e Wackernagel foram questionados sobre o progresso tecnológico. Veja o trecho abaixo (sugestão de Vanderson Rocha):

ÉPOCA – As inovações tecnológicas não substituirão os recursos aparentemente escassos?
Rees – Deparo com esse argumento o tempo todo. Claro que a tecnologia tem um papel muito importante. Vimos mais avanços tecnológicos nos últimos 50 anos do que em qualquer outro momento da história. Mas a pegada ecológica triplicou nesse mesmo período. A tecnologia por enquanto não nos tornou mais eficientes. Quando temos mais tecnologia, a usamos para consumir mais.
Wackernagel – Como engenheiro, acredito que a tecnologia cria inúmeras possibilidades. Mas não acredito que um dia criarão uma tecnologia que milagrosamente resolva tudo. E, mesmo que a gente ache uma cura milagrosa, levaria tempo para implementá-la. Não dá para esperar.

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  1. Antônio Galdiano permalink
    junho 26, 2012 1:02 pm

    A área ambiental é uma área do conhecimento realmente muito parecida com a economia de viés positivista: a construção de modelos matemáticos e econométricos cujos pressupostos são baseados em hipóteses sob o crivo do “bom senso” dos cientistas da área. O consolo é que os modelos desse pessoal consegue errar mais previsões que os economistas. E olha que esta é uma área das ciências exatas, porém as variáveis não são totalmente conhecidas e os modelos obviamente não consideram essas omissões.

    Caso queiram ver o outro lado da discussão sobre “aquecimento global”, tem esse link aqui:

    Dessa forma, todos ficamos reféns do famoso pensador português, Sr “Vaique”: Vai que eles estão certos e o mundo acabe! Vai que eles estão errados e gastamos fortunas com aquisição de produtos de marcas ambientalmente sustentáveis (obviamente mais caros), com vegetariamismo e outras inutilidades!
    O Sr “Vaique” sempre está certo!

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