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Contribuição acadêmica de Elinor Ostrom: um breve resumo

junho 25, 2012

Professor Alex Tabarrok, da George Mason University, a apelidou de “the Mother of fieldwork in development economics”.

Continuando minha humilde homenagem à economista… (aqui a primeira parte) Basicamente, o trabalho de Ostrom une Ciência Política e Economia. Sua análise das regras e procedimentos que regem a propriedade comum foi o que a fez ganhar o prêmio Nobel de Economia. Para a surpresa de muitos, apesar de ser brilhante e ter ganhado o prêmio, o trabalho de Ostrom era destinado principalmente a políticos e burocratas, a academia não era seu foco.

Ostrom estudou como as comunidades fazem a gestão dos recursos comuns (exemplo: florestas, rios, pastagens e animais selvagens). Assim como ocorre com os bens públicos, é difícil impedir as pessoas de usá-los. Mas, ao contrário de bens públicos, e como os privados, o que uma pessoa usa, deixa menos para os outros. Sabemos, dos cursos de microeconomia, que a teoria econômica prevê que em seguida os indivíduos racionais acabam fazendo o uso excessivo desses recursos.

O modo mais convencional é valer-se do trabalho de Coase (também Nobel) para argumentar que os direitos de propriedade são uma solução viável para o problema da gestão dos recursos comuns. Normalmente, isso envolve a privatização ou a colocar o recurso em mãos do governo. Mas Ostrom, sob uma perspectiva distinta da usada até então, verificou que o “auto-governo” muitas vezes funciona bem. Esta seria uma terceira abordagem para resolver o problema dos comuns: o desenvolvimento de instituições cooperativas duráveis organizadas e regidas pelos próprios usuários de recursos.

Ela passou grande parte da carreira estudando como certas comunidades conseguiram gerir os recursos comuns. A descoberta foi que grupos de pessoas tendem a ter conjuntos específicos de regras, normas e sanções, para assegurar que tais recursos sejam utilizados de forma sustentável. Ostrom acredita que o grande desafio seja promover o auto-compromisso entre os membros, o comprometimento de seguir o conjunto de regras em todas as instâncias, exceto em emergências terríveis se o resto das pessoas afetadas assumirem um compromisso semelhante e agir em conformidade.

De certa forma seus resultados foram importantes também porque mostraram insuficiências nos três modelos dominantes: a tragédia dos comuns, o dilema dos prisioneiros, e a lógica da ação coletiva. São insuficientes pois baseiam-se no problema do free-rider, situação que os indivíduos agem contra o interesse coletivo. Ela diz que estes modelos não são necessariamente errados, são casos específicos que só se aplicam quando os indivíduos agem independentemente, têm altas taxas de desconto, pouca confiança mútua, e não há meios de vigilância e controle do uso excessivo dos recursos.

A despedida

No mesmo dia de sua morte foi publicado seu último texto no Project Syndicate. Lá ela fala do Rio +20, e, enfim, se despede…

Último texto de Elinor Ostrom

Quer mais?

O livro “Governing the commons: The Evolution of Institutions for Collective Action” discute muito do que foi colocado neste texto.

Outras referências: no currículo dela tem bastante coisa legal. Segue aqui uma explicação mais informal e aqui uma versão mais rigorosa do seu trabalho que ganhou o Nobel.

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