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Boas intenções

junho 27, 2012

Geleiras do Ártico – Imagem: NASA

Eu já havia escrito que o futuro que queremos é uma utopia do ponto de vista ambiental. Isso ocorre porque todos os cidadãos aspiram um padrão de consumo digno de um europeu ou de um americano. O ideal de felicidade disseminado pela cultura orientada pelo marketing é de consumir mais, viajar mais, ter carro novo sempre, morar em casas chiques e ter uma vida confortável.

Nesse aspecto, a sociedade tem que entrar em um consenso. Os recursos do planeta são insuficientes para a aspiração de recursos de uma classe de países em desenvolvimento. O texto final da conferencia deixa claro que os países em desenvolvimento comprometem-se em desenvolver de forma sustentável.

A Rio +20, como notou a presidente Dilma, foi o consenso possível no atual contexto histórico. Os países estão em momentos diferentes de desenvolvimento e renda e, por isso, foi difícil chegar a um documento oficial com compromissos, que é um ponto de partida. Há muito trabalho para reverter o mal causado pela ação antrópica.

Do ponto de vista prático a reunião gerou um texto em que os países signatários se comprometem com o desenvolvimento sustentável e com a erradicação da pobreza. Os governos e empresas vão provisionar US$ 513 bi anuais para financiar projetos sustentáveis.

A implementação do acordo consiste em plantar 100 milhões de árvores, desenvolver a economia verde na África e reciclar 800 mil toneladas de PVC por ano, reduzir em 6% a emissão de dióxido de carbono, entre outros compromissos. O próximo passo é monitorar se o que foi combinado na conferência está sendo feito. O problema é a forma que esses recursos serão disponibilizados. Quem dará quanto ainda não ficou decidido.

Enquanto os países discutem, o ártico continua derretendo e existe até a possibilidade de explorar recursos naturais em seu domínio, basta que o gelo derreta e a logística de exploração fique mais barata. Há inclusive uma disputa histórica pela posse dos recursos do solo entre Rússia e outros países. Acredita-se que existem enormes quantidades de petróleo nas águas do círculo polar ártico e minérios embaixo das geleiras. Nessa perspectiva, seria economicamente viável deixar as geleiras derreterem, mas, com um custo ambiental incalculável.

Segundo a WWF, no texto final da Rio +20 aparece a palavra “encorajar” 50 vezes e “nós vamos” somente cinco. “Apoiar” aparece 99 vezes, mas a palavra “deve-se” apareceu apenas três vezes. Muito pouco para um encontro tão esperado. Tudo ainda circula na esfera das boas intenções.

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