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O dólar como arma contra o Irã

junho 29, 2012

A tensão internacional entre EUA e Irã já existe há algum tempo. Por um lado, os EUA questionam o programa nuclear iraniano, e temem o desenvolvimento de armas nucleares. Por outro lado, o Irã se defende das acusações dizendo que seu programa nuclear tem fins pacíficos. Nas palavras do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, todos os países têm o direito de desenvolver energia atômica, mas nenhum deles deveria possuir armas nucleares.

Nos últimos meses essa tensão se acirrou após uma série de sanções adotadas pelos EUA e pela UE ao petróleo Iraniano. O embargo petrolífero imposto pretende afetar as fontes de financiamento do programa nuclear de Teerã. Todavia, para que esse embargo funcione o EUA precisa punir os países que continuassem a comercializar com o Irã. No entanto, considerando a participação dos EUA no comércio internacional, se o país cortasse o comércio com os países que comercializam com Irã, os exportadores americanos seriam seriamente prejudicados.

Nesse sentido, a revista The Economist destaca a utilização do dólar como arma nessa “guerra”. No caso do Irã, os dólares são um problema. A maior parte do petróleo iraniano é vendida em troca de dólares. Em função de embargos ocorridos no passado, os bancos privados acabaram saindo do mercado de petróleo, restando ao Banco Central do Irã (BCI) a gestão das vendas. Além disso, o Irã precisa de um fluxo de dólares consistente para manter a taxa de câmbio fixo.

As sanções americanas assinadas em dezembro de 2011, visam punir aqueles países que não reduziram seu comércio de petróleo com o BCI. Qualquer banco que facilite as operações que envolvem o comércio de petróleo iraniano junto ao BCI perderá o acesso ao sistema bancário americano. Frente à importância do dólar e do acesso ao sistema bancário americano para algumas atividades bancárias, os bancos abandonam o Irã.

Nesse sentido, as sanções acabaram tendo efeito significativo. Vários países já reduziram suas importações de petróleo do Irã, dentre eles estão Japão, Índia e países da UE. Acontece que essa sanção não tem provocado grandes efeitos no comportamento da China. A China é o maior consumidor do petróleo iraniano, e tem muito a perder com a redução do consumo de petróleo. Assim, o caminho foi explorar as brechas. Como as sanções explicitam o nome do BCI, muitas transações deixaram de ser realizadas diretamente com o BCI, mas passaram a ser realizadas indiretamente. Existem também casos de swap entre petróleo iraniano e carregamentos de ouro chinês, ou até os chamados “swap shop” contas segregadas que a China credita quando recebe petróleo, permitindo o Irã a comprar produtos chineses.

Então por que os EUA não tomam uma atitude mais radical com relação à China? Primeiro porque os EUA não precisam. Segundo a Economist, as sanções têm reduzido as exportações de petróleo iraniano, reduzindo a capacidade de o país obter dólares, os quais necessita para manter o seu câmbio fixo. Além disso, a China é a detentora de cerca de 13% dos títulos do Tesouro Americano detidos no exterior. Portanto, um confronto com a China, além de oneroso seria um “tiro no pé”, pois os EUA estariam atacando um grande consumidor da sua dívida.

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