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Mercado de compra e venda de votos?

novembro 14, 2012

Estes cartazes foram encontrados em Copacabana (Rio de Janeiro), há algumas semanas, durante o período eleitoral. Um deles faz apologia – obviamente irônica – de compra e venda de votos. O outro reproduz partes de um conto de Machado de Assis.

Bem, definitivamente este é um mercado de votos! Tyler Cowen sempre escreve sobre curiosos “markets in everything”, embora ele provavelmente não conheça esse mercado. Mas não se preocupe, esta é apenas uma brincadeira cultural de artistas brasileiros.

A foto acima é uma citação de “A Igreja do Diabo”, um conto de Machado de Assis. Em poucas palavras, vou tentar resumir a história. Um dia o Diabo decidiu criar a sua própria igreja. A doutrina era simples: incentivar todos os pecados e condenar todas as boas virtudes. Desde o início, a nova religião foi bem sucedida. No entanto, com o passar do tempo, as pessoas voltaram a fazer boas ações em segredo. Furioso, o Diabo queixou-se a Deus, que respondeu: “É a eterna contradição humana”.

Quando vi os cartazes em Copacabana, estava curioso para saber o que era. Então disse aos artistas: “é um mercado ilegal, mas … qual é o preço do voto?”. Um deles respondeu prontamente: “Essa é a questão principal. Estamos incentivando as pessoas a pensar em vender os seus votos, então – por causa da contradição humana – as pessoas tendem a levar mais a sério as eleições. Votar não tem preço.”

Em outras palavras, primeiramente, as pessoas são atraídas pela possibilidade de vender algo e fazer dinheiro, mas depois percebem que é sobre a venda de algo de valor inestimável: votos. Quando é pedido que as pessoas vendam seus votos de maneira natural, por exemplo, na praia de Copacabana, a “contradição humana” é ativada e, em seguida, as pessoas começam a ver o ato de vender votos a partir de uma perspectiva diferente. Dizendo de forma negativa “Não venda votos”, não teria os mesmos resultados ao usar a contradição para chamar a atenção das pessoas.

Por fim, não podemos esquecer que a compra e venda de votos foi amplamente utilizada em toda a história brasileira. Um método antigo de influenciar as eleições no Brasil foi o “voto de cabresto”, quando os coronéis locais ditavam a escolha de candidatos aos eleitores, em troca de benefícios ou, basicamente, por meio de intimidação. Movimentos artísticos como este têm objetivo de evitar que os erros do passado aconteçam novamente no Brasil.

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P.S: Arrisquei escrever uma versão em inglês para esse texto. Críticas, sugestões são bem-vindas.

2 Comentários leave one →
  1. Helder Araujo permalink
    novembro 14, 2012 11:33 am

    Parabés Adriano.Interessante a idéia de fazer um artigo/crônica.

    • Prosa Econômica permalink*
      novembro 14, 2012 11:47 am

      Puxa, legal ver vc aqui!
      abraço

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