Skip to content

Corrupção e Desenvolvimento

janeiro 3, 2013

Em um relatório recente produzido pela agência internacional Transparency International, foi divulgado o Índice de Percepção da Corrupção para os países em 2012. O índice, baseado em diferentes indicadores de agência internacionais, varia de 0 a 100, onde zero é o maior nível de corrupção possível. O Brasil, mais uma vez, ficou em uma péssima posição: 69º lugar de um total de 174 países analisados.

O Brasil ficou atrás de países como Chile, Uruguai e, surpreendentemente, Cuba. A corrupção aumenta a incerteza econômica e, consequentemente, diminui os investimentos das firmas. Em um ambiente de elevada incerteza, os incentivos para o investimento se reduzem. Não à toa há uma forte correlação entre baixo nível de renda per capita e elevados índices de corrupção. O desenvolvimento depende de instituições que sejam estáveis e favoreçam a produção, além de uma economia aberta ao comércio internacional.

No entanto, a pergunta que sempre surge quando se discute corrupção, burocracia e desenvolvimento é: “E a China?” Bem, a corrupção está associada ao nível de renda per capita e não a sua taxa de crescimento. Mais precisamente, no curto prazo, a corrupção pode aumentar a produtividade da economia por minimizar a ineficiência burocrática (ver link abaixo). No longo prazo é que se paga o preço.

__________________

Prosa 1: Para uma análise mais crítica da relação entre corrupção e desenvolvimento leia esse post.

One Comment leave one →
  1. Antônio Galdiano permalink
    janeiro 4, 2013 9:50 am

    O comentário a seguir tangencia o tema abordado, complementando-o:
    Todo governo tende a ser corrupto. Faz parte da lógica estatal. A lógica habitual nos recomenda, diante da escolha entre produtos de mesmo preço, comprar o de melhor qualidade (sempre em carácter subjetivo) e não o de pior. Isso conduz as empresas que ofertam o produto menos desejado fora do mercado.
    A lógica estatal é o contrário: se um serviço do governo está ruim, é porque “falta verba”. Assim, os recursos geralmente vão para os piores serviços, e não para os melhores. E isso sob “Nirvana Approach”, ie, considerando a “incorruptibilidade” dos funcionários públicos, como as coisas “deveriam ser” (o que é risível, diga-se de passagem).
    Nesse sentido, têm muita gente que fala que o maior mérito do capitalismo é a meritocracia.

    O próximo comentário é uma crítica à interpretação usual sobre o tema:
    Geralmente se diz que corrupção está associado ao estado de coisas atual de uma sociedade. Bom, meu entendimento é de que isso é parcialmente verdade: a corrupção leva a um estado de coisas ruins ao longo do tempo, a mudanção não se dá instantaneamente no critério econômico. Isto é: a corrupção constrói um estado de coisas ruins, surtindo efeitos ao longo do tempo.
    Esta interpretação se restringe especificamente ao critério econômico. Em termos morais, sob uma leitura estritamente liberal, a situação é diversa: a corrupção é fruto da relativização crescente dos direitos dos povos.
    Hoje em dia é comum ouvirmos as seguintes frases de cunho socialista: “Todos devem ter direito à educação de qualidade”, “Todos devem ter direito à agua potável”, “todos devem ter direito a um mínimo de refeição diária”.
    Não desqualifico as intenções, mas sim os meios: Educação, agua potável e refeições não são como oxigênio; demandam o esforço de alguém para produzí-los. Quando se diz que essas coisas são “direitos” assim como é o direito de expressão (esse sim não sujeito à escassez), notadamente é obrigatória a instituição do estado, o qual “fornecerá” esses “direitos”: 1) Sob a prática de coerção (deixe de pagar impostos para ver o que te acontece…) e 2) sob a lógica estatal da “destinação de verbas”, o contrário da meritocracia.

    Bom, se bens escassos passam a ser “direitos”, estamos diante de 2 problemas fundamentais: 1) O problema dos incentivos: Se é um “direito”, por que eu devo me esforçar para obtê-lo? “É dever do estado providenciar tais e tais direitos para mim!!!”; 2) O Problema do cálculo econômico (por Ludwig Von Mises): haverá algum meio alternativo ao genuíno sistema de preços para quantificar as escassezes relativas dos bens e serviços e racionalizar sua oferta? A lógica da “destinação de verbas” imposta pelo governo é uma forma alocativa minimamente capaz de satisfazer as necessidades humanas? Não seria o genuíno sistema de preços uma Ordem Espontânea na qual os indivíduos, por tentativa e erro (e não mediante um planejamento central), consegue fazer que através de um mecanismo extremamente simples (variação de preços), inteligível a qualquer indivíduo, influa na alocação de recursos de todas as etapas produtivas do sistema econômico até o consumo final do bem, tornando as etapas produtivas e a quantidade de produção final mais adequadas a satisfação das necessidades humanas? Esta “mão invisível”, esse sistema de comunicação transcendental coordenador de toda atividade produtiva, uma das principais conquistas da humanidade livre, é substituível por um planejamento central alocativo? A resposta é não!

    Quando esses direitos são contraditados por esses 2 problemas fundamentais(da contradição teórica), isso leva a contradições reais. Jamais qualquer estado conseguirá sustentavelmente satisfazer as necessidades humanas melhor que os indivíduos livres. Os efeitos do sistema de incentivos e a inviabilidade do cálculo econômico sob tal organização social serão sentidos com defasagens, mas são tão certos quanto à morte. Decorrem da lógica e são dedutíveis aprioristicamente.

    No entanto, para aqueles que vivem a ilusão de que podem indefinidamente viver às custas do fruto do trabalho dos outros em nome do objetivo que for (seja por ser mal-caráter, por buscar “justiça social” ou as duas coisas), serão pegos em contradição com a realidade. Conseguirão (e o êxito nesse sentido tem sido notório inclusive e principalmente nos EUA) corromper uma moralidade condutora do progresso e do esforço pessoal em nome de uma “conquista de direitos” insustentável, mediante fortalecimento do poder estatal o qual só consegue fazer qualquer coisa que seja somente através de coerção. A cooptação dos povos e corrupção da moralidade precede a queda econômica.
    Por fim, para fazer justiça, devo dar o crédito a quem é de direito. Não criei nada do que disse, apenas reproduzi.
    Para ilustrar o dito seguem 2 frases emblemáticas do pensador liberal clássico Frederic Bastiat: 1)”O Estado é essa grande ficção pela qual cada um tenta viver às custas de todos os demais.” e 2)”Para essa situação, só existe um remédio: tempo. As pessoas têm de aprender, por meio da dura experiência, a enorme desvantagem que existe em saquear o próximo”.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s