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Alternativas ao Abismo Fiscal

janeiro 5, 2013

O abismo fiscal foi evitado – pelo menos por enquanto. Democratas e republicanos entraram em um “mini acordo” (termo usado por Roubini) para evitar que automaticamente fossem implementados cortes de gastos e aumento de impostos, que rapidamente empurrariam a economia para a recessão. Sem uma medida concreta de ajuste fiscal de longo prazo, os problemas foram apenas adiados. Já no início deste ano haverá novos embates pela frente, como a discussão sobre a elevação do teto da dívida e a previsão de mais corte de gastos.

Nas últimas semanas procurei expor as diferentes alternativas que a academia propõe ao problema fiscal americano. Por um lado temos Paul Krugman, Robert Reich, Mark Thoma e outros tantos representantes que veêm o emprego como prioridade à redução do déficit. Argumentam que cortar o orçamento enquanto o desemprego permanecer alto é um grave erro. Erro que iria contrair a economia deixando o déficit ainda maior em proporção. Por isso, eles dizem (ou mandam): os empregos devem vir primeiro.

jobs come first

Por outro lado, merece destaque também aqueles economistas que insistem que agora é o momento oportuno para a redução do déficit. Afinal de contas, a dívida americana já beira 80% do PIB. Reinhart e Rogoff mostraram em trabalho (pdf) recente que quando esse nível atingir o limiar de 90% do PIB, a dívida passará a travar mais intensamente o crescimento.

Falar em redução do déficit implica em reconhecer que existem duas vias distintas: aumentar impostos e cortar gastos. A isto costuma-se chamar austeridade, caminho obscuro que deve ser evitado (até que ponto isso é verdade?). Até bem pouco tempo muita gente inclusive Krugman, Christina Romer e membros do FMI argumentavam que tanto o aumento de impostos quanto o corte de gastos levam a resultados recessivos semelhantes.

Hum, não é bem assim…

Pesquisa recém-publicada (pdf) por Alesina (Harvard) e Ardagna (Goldman Sachs) encontrou que ajustes fiscais baseados em cortes de gastos levam a pequenos impactos negativos no produto e que ajustes baseados no aumento de impostos resultam em recessões prolongadas.

mercatus fiscal cliffMas o que mantém a economia de pé quando os gastos do governo, componente importante da demanda agregada, cai? Alesina responde: “é o investimento privado. Nossa pesquisa encontrou que a acumulação de capital do setor privado aumenta após as reduções do déficit via corte de gastos, com firmas investindo mais em atividades produtivas, por exemplo, comprando maquinário e abrindo novas fábricas. Já após reduções do déficit via aumento de impostos a acumulação de capital é reduzida”. Alesina também elenca outras medidas pró-crescimento que costumam ajudar a impulsionar o investimento privado, quais sejam, medidas de desregulação, de liberalização do mercado de trabalho, reforma tributária e etc.

Tem uma porção de economistas que se filiou a essa estratégia. Entre eles, Alesina e Ardagna (do artigo citado acima), Paolo Mauro do FMI e boa parte dos pesquisadores do Mercatus Center. Veronique de Rugy, do Mercatus, vem argumentando há muito tempo que negociações sérias sobre a crise fiscal devem levar em conta a necessidade de se cortar gastos das categorias que mais impulsionam a dívida de longo prazo, como os de saúde e segurança social (vide gráfico).

A verdade é que ninguém ficou satisfeito com a negociação do acordo feito na virada do ano. Deixou muito a desejar, muitos pontos ainda sem acordo e por isso a discussão ainda vai continuar por bastante tempo.

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