Skip to content

Relato de preparação para o Exame ANPEC

fevereiro 16, 2016

Convidei o Guilherme Branco para nos contar sua experiência de preparação para a ANPEC. Guilherme fez graduação na FEA-USP e foi convidado por todos os centros mais concorridos de pós-graduação vinculados à ANPEC. Hoje ele cursa o mestrado da EPGE-FGV. Esperamos que suas dicas ajudem, de alguma forma, os próximos candidatos. A partir de agora, é com o Guilherme:

Antes de começar, gostaria de fazer uma advertência. Cada candidato se prepara de uma forma diferente, de acordo com suas preferências e restrições de tempo, local de estudo, dinheiro e meio social. Não digo que minha preparação foi melhor que dos demais candidatos, mesmo porque desconheço qual foi a da grande maioria deles. Mas é apenas um exemplo de uma preparação que deu certo para mim. Vamos ao que interessa.

Passo 1: Planejamento

Em fevereiro comecei a estudar e me planejar. Já imaginava, pelos anos anteriores, que a deadline estava cravada no final de setembro, porém não tinha certeza do dia uma vez que manual do candidato sairia somente em abril.

Não tinha experiência alguma sobre como me preparar para o exame da ANPEC, então fui aprendendo no decorrer do ano. Alterei algumas vezes a maneira que estudava, e dessa forma o planejamento que fiz foi também alterado. É importante destacar que conversei com muitas pessoas sobre o exame. Inclusive com professores da USP que já tinham passado por essa situação. De longe, quem mais me ajudou nesse ano foi a professora Maria Dolores com quem tive a oportunidade de trabalhar. Conversamos durante horas sobre o exame e sobre minhas preocupações acadêmicas.

Além disso, falei com muitos colegas que estavam se preparando para o exame, o que foi importantíssimo, principalmente pela troca de informações e material. Conversamos sobre como cada um se preparava e sobre assuntos específicos do conteúdo do exame. Contudo nunca participei de nenhum grupo para resolução de exercícios em conjunto, preferia tentar fazer sozinho os exercícios que apareciam e, os que não conseguia resolver na hora ficava pensando durante alguns dias nele até encontrar uma forma de fazer. Por fim, se não descobrisse conversava sobre ele com alguém.

1º Plano: Fevereiro – Maio

Inicialmente, eu acreditava que era importante estudar o conteúdo por blocos. Queria esgotar o conteúdo completo de Macroeconomia e Matemática até julho. Durante julho e agosto estudaria Microeconomia e Estatística e no mês de setembro pretendia revisar todo o conteúdo. Essa estratégia não funcionou.

O principal problema dela era a quantidade de conteúdo. Comecei a perceber que não daria tempo para estudar tudo no nível de profundidade que eu estava querendo. Além disso, eu ficava semanas pensando em determinada prova, Macroeconomia, e quando ia fazer as demais, a nota vinha abaixo das minhas expectativas. Esse plano durou até maio, mas já no início de julho tinha estudado todo o conteúdo de Macro e o conteúdo de Álgebra Linear da prova de matemática.

2º Plano: Maio – Julho

Como o primeiro não deu certo, fui aos poucos alterando a maneira de estudar. Continuei com a ideia dos blocos, mas dividi em bloquinhos menores. Então eu estudava determinado assunto, por exemplo Teoria do Consumidor, fazia um resumo e passava para outro bloquinho de outra matéria, Integrais, fazia um resumo e assim seguindo. Sempre fazia todos os exercícios que encontrava sobre determinado assunto antes de fazer o resumo. Este segundo método durou até o fim de julho.

3º Plano: Agosto – Setembro

No início do ano estipulei uma meta que teria que terminar o conteúdo até julho ficando assim livre em agosto e setembro para me focar na revisão final e nos últimos simulados. Não deu certo. Como o conteúdo era muito abrangente não foi possível estudar ele todo da maneira que eu queria até julho. O negócio então era estudar o conteúdo que me proporcionasse a maior nota esperada, condicional ao tempo de estudo que me restava.

Foi então que decidi pôr em prática o que já estava pensando durante todo o ano. A partir de agosto, fazer simulados todas as semanas para avaliar quais eram os conteúdos em que eu estava mais deficiente, possibilitando também a vantagem de revisar todo o conteúdo que já tinha visto. Assim, eu teria o prazo de uma semana para estudar aquelas questões que tinha errado no simulado, para que no próximo eu tivesse uma chance melhor nas questões parecidas.

Esse plano foi super efetivo. Fiz quatro simulados em agosto e três simulados em setembro. Nas quartas-feiras fazia as provas de Macroeconomia, Estatística e nas quintas-feiras fazia as provas de Matemática e Microeconomia. Sempre tomando o cuidado para fazer as provas dentro dos horários que estavam estipulados no Manual do Candidato. Suspeitava que a prova seria realizada na USP nesse ano, pois no ano anterior tinha ocorrido na FGV-EESP e algumas pessoas me contaram que existe um revezamento dos locais onde é realizado a prova em São Paulo. Não sei até que ponto isso pode continuar, então acho melhor não contar com isso. De qualquer forma eu fazia os simulados nos dias da semana, horário e local onde ocorreriam as provas. Acho que isso me ajudou marginalmente, principalmente com relação ao estado de espírito e a confiança que seriam necessários no dia definitivo.

Passo 2: Horas de estudo

Sabia que ia gastar um bom tempo me preparando para esse exame. No dia 20 de março, decidi começar a anotar as horas que estudava por dia. Conforme as semanas foram passando, decidi anotar quanto estudava para cada prova, e por fim decidi colocar tudo em uma planilha e começar a anotar por lá. Pelo que computei de horas efetivas estudadas, contando com os simulados, foram mais de 600 horas de preparação. Além disso fiz um cursinho preparatório também, que no total deu 270 horas de aula, mas essas horas não foram computadas no cálculo. Pela tabela abaixo dá para ver o quanto me dediquei (quantitativamente) para cada prova.

tabela

Abaixo segue um gráfico com a média de horas que estudei por dia, durante todo o ano de preparação.

g1

Durante o ano houve alguma variação na dedicação para os estudos. Houve semanas que estudei mais de 40 horas, e outras que estudei menos de 10 horas. Construí um gráfico com as médias móveis de 7 e 14 observações para dar uma ideia melhor de como foi essa variação.

g2

Passo 3: Simulados

Um conselho é começar a fazer os simulados o quanto antes. Comecei a fazer simulados em abril e pretendia fazer 1 por mês até julho e 1 por semana em agosto e setembro como comentei acima. Foi bom fazer muitos simulados, pois comecei a conhecer a prova entendendo quais eram suas peculiaridades desde cedo.

A primeira coisa a aprender quanto à prova é o funcionamento da pontuação. Conforme especificado no Manual do Candidato esta é uma prova que pune o chute. Um indivíduo que é ligeiramente avesso ao risco terá que ponderar bem se vale a pena chutar ou não. A afirmação: “A pontuação esperada de um item chutado é zero, então não vale a pena deixar o item em branco.” é uma pegadinha e, eu demorei um tempo para aprender isso. Você já começa a prova com zero. Só com a prática de muitas provas fui entendendo quando valia a pena deixar uma questão em branco e quando não.

Minha meta para os simulados era pontuar 3/5 por questão, pois eu tinha conversado com alguns candidatos dos anos anteriores que me disseram que isso seria o suficiente para entrar em um bom centro de pós-graduação. Abaixo segue um gráfico com minhas notas médias dos simulados e também da média do exame definitivo. Quanto aos simulados, fiz todas as provas de 2006 até 2015, com exceção da prova de Economia Brasileira que fiz somente de 2010.

g3

Abaixo segue a tabela completa com as notas dos simulados que fiz. Os simulados me ajudaram tanto, que se prestar atenção tive uma melhora significativa na média das provas durante o ano.

tabela2

Por conta do grande desvio padrão dos meus simulados de matemática precisei me dedicar mais para essa prova. Isso refletiu nas horas de estudo que apresentei na outra tabela. Uma curiosidade interessante é que eu fiz somente um simulado da prova de Economia Brasileira, fiz a prova de 2010 em abril de 2015. Minha nota nesse simulado foi 4,6, exatamente minha nota no exame oficial de 2016. Coincidência, acho que não. [risos]

Passo 4: A prova

Outra coisa que aprendi é que a prova não pode ser subestimada. Subestimar a prova é deixar de se preocupar com ela. Eu sempre estava preocupado com ela, achava que ia ser difícil e que não daria tempo para fazer todas as questões. Isso ficou muito claro para mim quando fiz o primeiro simulado. E mesmo nos outros simulados, foram raras as vezes que consegui fazer todas as questões. Além disso, subestimar a prova não significa que você está se comparando somente com à prova diretamente, mas sim com todas as outras pessoas que irão realizar a prova. E nesse caso subestimar a prova significa se superestimar em relação a todos os outros candidatos. Conheci muitos candidatos bons, inclusive conhecia o histórico de alguns deles por ter estudado junto durante a graduação. E sabia que muitos deles eram alunos exemplos. Além disso pensava em todos os bons candidatos que eu não conhecia, por isso sabia que não podia subestimar o exame.

Durante a prova não tem segredo, você vai marcar a afirmativa que for verdadeira com V, a que for falsa com F e a que você não souber não vai marcar. Na semana anterior aos exames da Anpec eu tive uma prova de econometria. Durante a prova, para nos dar motivação, o professor falou para a sala. “Vocês acham que isso aqui é difícil? Difícil é Chicago! Vocês tem que ter sangue frio, ler a questão e marcar o que é certo”. Essas palavras me deram muita motivação para a ANPEC, apesar de ter tirado 4,7 na prova dele…

Por fim, um último conselho com relação à prova. Uma pessoa muito sábia e, que me ajudou bastante durante meu ano de preparação me disse que a Anpec é como um jogo de tênis. Se você perdeu um ponto, tem que esquecer ele e continuar jogando. Não pode se afobar para tentar recuperar, porque se não, você vai perder a partida. Se você acha que foi muito mal em uma das provas, esqueça ela e faça as outras, sem a memória do que aconteceu. Eu deixei algumas questões em branco nas provas do primeiro dia, mas mantive a cabeça tranquila para não tentar recuperar eles depois. Cada prova devia ser tratada como única, e foi isso que eu fiz. O ponto que você ganha é sempre marginal, você já começa com zero, por isso trabalhe bem cada questão.

Tirando isso, só posso desejar boa prova para os candidatos e futuros candidatos.

8 Comentários leave one →
  1. Lira permalink
    fevereiro 16, 2016 8:07 pm

    Caramba, parabéns! Além de se preparar metodicamente para a prova, ele ainda anotava cada passo.
    Esse cara mitou

  2. Ruan permalink
    fevereiro 16, 2016 10:49 pm

    Guilherme, muito obrigado pelas dicas!!!

  3. Bruno Zaban permalink
    abril 15, 2016 12:54 pm

    Meu caro, existe em algum lugar a estatística dos tópicos que mais caem nas provas? Pretendo fazer isso, mas se já tiver poupa um tempo! 😉
    Valeu!

    • abril 26, 2016 3:02 pm

      Dica: nos livros de exercícios da Campus tem uma tabela com a frequência relativa de tópicos por assunto.

      • Keraban Rocha e Cruz permalink
        janeiro 29, 2017 7:27 pm

        quais livros são esses? também gostaria dessas estatísticas, seriam bem úteis!

  4. janeiro 14, 2017 4:40 pm

    Os gráficos sumiram…

  5. CARLOS ALBERTO GODOY permalink
    fevereiro 15, 2017 1:49 pm

    Gostaria de mais informações sobre o cursinho preparatório. Sei que o fundamental é o estudo individual. Mas acredito que um cursinho pode somar.

    • Guilherme Branco Gomes permalink
      março 26, 2017 2:53 pm

      Carlos, com relação ao cursinho que me referi no texto é o da FIPE. Abaixo você pode encontrar um link com mais informações:
      http://www.fipe.org.br/pt-br/ensino/cursos-preparatorios/

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s